Vale propõe acordo com governo para recuperar Rio Doce após rompimento de barragem

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 19:45 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - A Vale (VALE5.SA: Cotações) procurou o governo para propor um acordo para a recuperação da bacia do Rio Doce, afetada pelo rompimento em novembro do ano passado de uma barragem de mineração em Mariana (MG) da Samarco, joint venture das empresa e da a anglo-australiana BHP Billiton (BHP.AX: Cotações), anunciaram ministros nesta segunda-feira.

Após reunião no Palácio do Planalto com a presidente Dilma Rousseff, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, manifestou a intenção das empresas envolvidas em fechar o acordo para a recuperação da Bacia. Também participaram do encontro o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, além dos governadores de Minas, Fernando Pimentel (PT), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o presidente da Vale, Murilo Ferreira.

Embora ainda não conheça os termos desse acerto, a expectativa do governo é de chegar a uma definição até o início de fevereiro. Se firmado, de acordo com a ministra, o acordo deverá envolver formas de financiamento dessa recuperação. O governo tem como referência o valor de 20 bilhões de reais.

“Nós discutimos a possibilidade entre nós de um acordo com as empresas que estão citadas na ação civil pública com vistas a uma programa de recuperação e revitalização da bacia”, disse Izabella em entrevista coletiva, referindo-se a ação proposta pelos governos federal e estaduais (de MG e ES) no fim do ano passado pedindo a recuperação da bacia afetada.

Segundo a ministra, o presidente da Vale sinalizou "com toda a objetividade" o interesse das empresas de fazerem um acordo. "Obviamente na esfera judicial”, explicou a ministra.

Também presente na entrevista, o advogado-geral da União afirmou que o valor de referência de 20 bilhões de reais é apenas uma estimativa que garanta “pelo menos” 10 anos de investimento.

Segundo Adams, as ações de recuperação é que vão ditar a necessidade de recursos e o acordo a ser firmado deve seguir diretrizes da ação já proposta, com dimensão socioambiental e também socioeconômica.

“Já devemos amanhã (terça) nos reunir em Minas Gerais para ouvir mais detalhes da proposta ... com as próprias empresas”, explicou Adams. “É um desenho que está em construção.”

O rompimento da barragem do Fundão, operada pela Samarco em Mariana matou 17 pessoas, deixou centenas de desabrigadas e disseminou lama com rejeitos de mineiração no Rio Doce, afetando cidades banhadas pelo rio em Minas Gerais e no Espírito Santo.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

 
Distrito de Bento Rodrigues coberto por lama após rompimento de barragem da Vale e da BHP Billiton em Mariana, Brasil. 6  de novembro de 2015. REUTERS/Ricardo Moraes