CENÁRIOS-Clima irregular em lavouras de soja de Mato Grosso desafia estatísticas

terça-feira, 19 de janeiro de 2016 10:14 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SORRISO, Mato Grosso (Reuters) - Quando um produtor de soja do norte de Mato Grosso é questionado sobre a produtividade irregular registrada nesta safra --que pode variar enormemente entre uma lavoura e outra a poucas centenas de metros de distância-- é comum ouvir a resposta: é porque um agricultor rezou mais e o outro rezou menos.

Buscar explicações no além é uma das alternativas para entender o comportamento do clima e das plantações em uma temporada que está desafiando consultorias, entidades e produtores que buscam fazer previsões de produção.

Muitas vezes o mercado baseia-se nessas projeções de produção, e as incertezas têm ajudado a alimentar volatilidade nos preços nas últimas semanas.

"Estou há 38 anos aqui. Nunca vi clima igual. Já vi perder soja com chuva, mas nunca com sol", resumiu o agricultor Sesino Enzweiler, de Sinop, no norte de Mato Grosso.

De fato, Mato Grosso é um Estado pródigo em chuvas no período da safra de verão. Mas a distribuição irregular das precipitações em novembro e dezembro, em decorrência do fenômeno climático El Niño, deixou algumas áreas sem uma gota d' água por 20, 30 ou até 40 dias, enquanto o vizinho registrava chuvas praticamente dentro da média.

Enzweiler disse que plantou suas lavouras com a expectativa de colher 70 sacas de 60 kg por hectare. Agora, já projeta produtividade de 55 sacas. Mas nem de longe suas perdas são as piores da região.

Sorriso, o maior município produtor de soja do país, ao sul de Sinop, realiza esta semana um levantamento dos prejuízos junto aos produtores. O objetivo da prefeitura é decretar situação de emergência até sexta-feira.

O produtor Ildo Damiani é um dos que esperam se apoiar neste decreto de emergência para renegociar contratos de venda antecipada firmados com tradings.   Continuação...