Enquanto líderes se encontram em Davos, economias emergentes descem a ladeira rapidamente

terça-feira, 19 de janeiro de 2016 15:10 BRST
 

Por Sujata Rao

DAVOS, Suíça (Reuters) - Mais de 1 trilhão de dólares em fluxos de investimentos já saíram dos mercados emergentes nos últimos 18 meses, mas o êxodo pode ainda não ter chegado nem na metade do caminho, com as outrora crescentes economias parecendo presas em um ciclo de baixo crescimento e investimento.

Embora as economias em desenvolvimento não desconheçam crises financeiras, com muitos catástrofes cambiais e de dívida infectando todos os mercados emergentes em ondas nas últimas décadas, os líderes do Fórum Econômico Mundial deste ano em Davos nos Alpes Suíços estão temerosos que este episódio seja muito difícil de superar.

Alimentado por temores de aperto do crédito nos Estados Unidos e de alta do dólar, e vindo junto com uma longa desaceleração da economia chinesa e uma implosão do super ciclo relacionado às commodities, há uma crescente ansiedade de que não haverá uma recuperação acentuada ao fim deste momento difícil para recompensar os investidores que enfrentaram os piores momentos.

"O cenário global e os motores para os mercados emergentes são bem diferentes dos de 2001", disse o chefe de mercados emergentes do ICBC Standard Bank, David Spegel, se referindo ao momento em que Ásia, Brasil e Rússia estavam se recuperando das ondas da crise no fim dos anos 1990.

"Naquele momento, todas os astros estavam alinhados para a globalização e os mercados emergentes foram os mais beneficiados. Neste momento, nós não temos esses múltiplos catalisadores."

O principal catalisador em 2001 foi, obviamente, a China. Sua entrada para a Organização Mundial do Comércio desencadeou uma década de exportações e investimentos milagrosos de uma década de duração, que impulsionou sua economia de sexta para a segunda maior do mundo.

Sua ascensão içou grande parte dos países em desenvolvimento, dos exportadores de soja e aço da América Latina aos industrializados da Ásia que se tornaram parte da gigantesca cadeia de fornecimento industrial. Mas sua desaceleração está atingindo esses países com a mesma intensidade.

O crescimento do comércio global provavelmente foi mais lento do que o da economia mundial pelo quarto ano consecutivo em 2015, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso contrasta com as décadas anteriores, quando o comércio se expandiu pelo menos duas vezes mais rápido que o crescimento mundial.   Continuação...