Refino de petróleo no Brasil cai pela primeira vez desde 2008, diz ANP

terça-feira, 19 de janeiro de 2016 17:18 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O volume de petróleo refinado no Brasil caiu em 2015 ante o ano anterior pela primeira vez desde a crise internacional de 2008, informou nesta terça-feira a agência reguladora do setor de petróleo (ANP), enquanto o país sofre sua maior recessão econômica em décadas, com reflexo na demanda por combustíveis.

O país processou 724 milhões de barris no ano passado, uma queda de 5,8 por cento em relação a 2014, apesar da Petrobras ter iniciado a operação de uma refinaria construída por ela no fim de 2014, o que não ocorria há 34 anos.

Com isso, a produção de derivados de petróleo no Brasil também teve sua primeira queda anual desde 2008, com retração de 6,3 por cento ante 2014, totalizando 745 milhões de barris.

O cenário de 2015 mostrou mudança em relação aos anos anteriores, quando a Petrobras operava seu parque de refino com capacidade máxima, diante de um aumento do consumo de derivados.

A entrada da nova refinaria da Petrobras em Pernambuco, chamada Rnest e também conhecida como Abreu e Lima, entre novembro e dezembro de 2014, contribuiu com uma menor dependência externa principalmente de diesel, seu principal produto, mas não se refletiu no aumento do processamento de petróleo no país.

A Rnest tem capacidade para processar 115 mil barris de petróleo por dia (bpd), mas apenas esteve liberada ao longo do ano para refinar 74 mil bpd, já que não terminou a construção de um equipamento de mitigação de emissão de gases.

No ano, a Rnest processou 23,11 milhões de barris. Em dezembro, o volume total foi de 2,28 milhões de barris, ou o equivalente a 73,7 mil bpd.

O processamento da Refinaria de Paulínia (Replan), a maior do país, caiu 4,6 por cento no acumulado de 2015 ante o ano anterior, para 144 milhões de barris. Em dezembro, a unidade que tem capacidade para processar 415 mil bpd refinou 361 mil bpd.   Continuação...