Demanda por farelo pode puxar novo recorde na importação de soja em grãos pela China

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016 11:20 BRST
 

PEQUIM (Reuters) - A China, maior comprador global de soja, deverá importar volumes recordes da oleaginosa mais uma vez este ano, com indústrias aproveitando a oferta barata no exterior para suprir quase toda a demanda de proteínas para ração animal no país, disseram analistas do setor.

As fábricas de ração, principais consumidoras de farelo de soja, estão usando o derivado de soja para substituir outras fontes de proteína, como colza (canola), caroço de algodão ou grãos secos de destilaria (DDGs, na sigla em inglês), mesmo em um momento em que o plantel de suínos --que representa mais de 40 por cento do consumo de ração no país-- caiu para seu menor nível em anos.

A produção de farelo de soja na China subiu 10,3 por cento em 2015, segundo dados publicados por site setorial (www.cofeed.com), o que elevou a demanda por soja importada, que subiu 14,4 por cento no ano passado, para volume recorde.

"O farelo de soja está bastante barato e as fábricas de ração aumentaram seu uso, apesar da desaceleração econômica", disse um comerciante de farelo em uma importante indústria esmagadora.

A alta na demanda por farelo de soja ocorre em um momento em que o maior produtor e consumidor mundial de carne suína reduziu o plantel de animais, no ano passado, para o menor nível desde 2004, segundo dados do Ministério da Agricultura chinês, com produtores reduzindo o número de animais depois de vários anos de prejuízos e devido a novas regras ambientais.

E enquanto a recomposição do plantel de suínos continua lenta, a redução na produção de outras fontes de proteína está se convertendo em crescimento de demanda pelo farelo de soja.

Este cenário pode elevar a importação de soja pela China para até 85 milhões de toneladas no ano encerrado em setembro de 2016, disse um analista do Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos da China (Cngoic, na sigla em inglês), o que representaria uma alta anual de 9 por cento.

(Por Niu Shuping e Dominique Patton)