21 de Janeiro de 2016 / às 00:05 / 2 anos atrás

REPERCUSSÃO-Copom mantém taxa de juros em 14,25% por 6 votos a 2

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic em 14,25 por cento ao ano, por seis votos a dois.

Os diretores Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon votaram pela elevação da taxa em 0,5 ponto percentual.

No comunicado, o BC disse que a decisão foi tomada "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas".

Apesar de pesquisa Reuters mostrar que a maioria dos 43 economistas ouvidos ainda previam alta da Selic, a decisão do Copom não foi uma grande surpresa, já que o presidente da instituição, Alexandre Tombini, divulgou nota na véspera indicando que o BC poderia não elevar os juros por conta da contração da economia brasileira. [nL2N1530HJ]

Veja a seguir comentários sobre a decisão do Copom:

CARLOS KAWALL, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO J.SAFRA

“Não acredito que a decisão resultou de pressões do governo, acho que é mais uma questão de mudança do cenário externo mesmo.”

“Como as incertezas globais não parecem perto de acabar, a próxima reunião deve ser de manutenção e talvez agora a gente tenha que ter trajetória de estabilidade nos próximos meses.”

“O cenário mudou lá fora. O próprio Fed já vai ter que repensar sua estratégia de 4 altas de juros este ano. No ano passado, o que determinou a dinâmica da política monetária foi sobretudo o Brasil, mas agora tem também uma coisa muito complicada que é o cenário externo.”

GUSTAVO LOYOLA, SÓCIO, TENDÊNCIAS CONSULTORIA

"Depois da comunicação (da véspera), o Banco Central só faltou dizer que ia manter a taxa, então eu acho que não houve, a partir daí, mais uma surpresa".

"Eu acho que a credibilidade do BC fica muito abalada, não consegue estabelecer uma comunicação coerente com os agentes econômicos, dá sinais contraditórios, e como não houve nenhuma mudança relevante na conjuntura econômica entre dezembro e agora, então não há justificativa. O que houve foi só mudança do ministro (da Fazenda), mas isso não deveria ser motivo para o BC mudar de rumo."

"Realmente, fica aberta aí essa especulação de que teria havido pressão política. Ninguém consegue acreditar, por mais crédulo que seja, que foi por causa do FMI que o Banco Central mudou sua comunicação e, depois, sua decisão".

"Existem algumas incertezas externas, sem dúvidas elas existem, mas também essas incertezas não estavam ausentes em dezembro, também aí eu acho que não houve grandes mudanças de cenário internacional nas últimas semanas".

"Vamos torcer para que na ata o BC explicite um pouquinho mais o que ele pretende fazer, mas mesmo assim a gente fica sujeito a uma mudança de opinião de última hora."

BRUNO ROAVI E ANDRES JAIME MARTINEZ, BARCLAYS RESEARCH

"Com as condições domésticas continuando a deteriorar-se, o aprofundamento da recessão, o ajuste do mercado de trabalho em plena aceleração e agora com riscos materiais provenientes do ambiente internacional, mantemos o nosso cenário base de que o Copom vai começar a flexibilização da política monetária em agosto deste ano, levando a taxa Selic até 13 por cento no final do ano."

JOSÉ FRANCISCO DE LIMA, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO FATOR

"Acho que houve uma inflexão ontem, então veio no que eu esperava. De ontem para hoje eu baixei (a expectativa de alta) de 50 pontos básicos para zero, porque entendi que eles não enxergavam 50 como adequado por conta da preocupação com a atividade doméstica e externa."

"Daqui pra frente a tendência é não subir mais, porque eu entendo que se o argumento deles é principalmente as incertezas externas, as incertezas externas vão se manter."

TATIANA PINHEIRO, ECONOMISTA, SANTANDER

"A preocupação com a atividade econômica ganhou importância e também muito provavelmente o BC deve ter reavaliado a expectativa de crescimento econômico em relação ao que ele tinha no relatório de inflação publicado no final de dezembro."

    "A inflação vai desacelerar este ano porque a inflação de (preços) regulados vai desacelerar."

    "A resposta do mercado amanhã vai ser desprecificar o ciclo inteiro, ou seja, a parte curta fecha (cai) um pouco mais. A parte longa deve sofrer (subir) um pouco, deve ter um sentido de inclinação maior da curva."

JUAN JENSEN, SÓCIO, 4E CONSULTORIA

"Diante das sinalizações do Banco Central não foi uma boa decisão. Aparentemente tem a digital do Planalto, isso já aconteceu outras vezes no gestão Dilma 1 e volta a ocorrer."

    "É uma decisão ruim e que afeta bastante a credibilidade do Banco Central. Quem está decidindo? O mercado e os analistas estão se questionando. É a presidenta que toma decisão ou a diretoria colegiada?”

ALENCAR BUTI, PRESIDENTE, ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO

"A manutenção da Selic foi acertada. O desemprego e a recessão já derrubaram a confiança e o consumo das famílias, e isso deverá levar ao recuo da inflação."

JOSÉ DO EGITO FROTA LOPES FILHO, PRESIDENTE, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ATACADISTAS E DISTRIBUIDORES

"A decisão do Copom de manter a taxa básica de juros sinaliza que o Banco Central começa a entrar em compasso com a economia real."

"Acreditamos que a equipe do BC tomou a decisão correta, tendo em vista o agravamento do cenário recessivo, que inclui o aumento do desemprego e dos pedidos de recuperação judicial."

Reportagem de Alonso Soto, Marcela Ayres, Silvio Cascione em Brasília e Flávia Bohone em São Paulo

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