Juros futuros curtos desabam e longos sobem após BC manter Selic

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 11:15 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros mais curtos desabavam nesta quinta-feira, após o Banco Central manter os juros básicos em 14,25 por cento em uma decisão controversa, enquanto os DIs longos avançavam com força.

"O problema é que o BC armou todo um cenário para subir (os juros) e, na véspera da decisão, deu um cavalo de pau. Isso desfaz todo o trabalho de credibilidade do ano passado", disse o sócio-gestor da Leme Investimentos Paulo Petrassi.

"Ainda acredito que eles serão obrigados a aumentar os juros daqui para frente, mas o medo que dá é que voltem às políticas que nos colocaram nesta posição", acrescentou.

Até o início desta semana, os DIs vinham mostrando chances majoritárias de elevação de 0,50 ponto percentual na Selic. Essas apostas perderam fôlego na terça-feira, quando o presidente do BC, Alexandre Tombini, divulgou comunicado informando que levaria em conta a significativa piora das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia brasileira. [nL2N1530Q7]

O mercado fechou a sessão passada apontando probabilidade majoritária de elevação de 0,25 ponto na Selic, com alguma chance de manutenção. Após o encerramento dos negócios, o BC decidiu pela estabilidade, citando "o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas". [nL2N1542NY]

"Em nossa opinião, a decisão e a comunicação do BC provavelmente terão impacto sobre a credibilidade do Banco Central, aumentando as expectativas de inflação para este ano e o próximo", escreveram analistas do banco JPMorgan em nota a clientes. "Com isso em mente, estamos reavaliando nossas projeções para o IPCA, especialmente para 2017".

O JPMorgan projeta que a Selic deve continuar no atual patamar no futuro próximo. A curva de DIs, porém, mostrava duas elevações de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Copom, em março e abril, segundo operadores.

A incerteza sobre a política monetária contribuía para elevar os DIs mais longos, que também eram pressionados pela alta do dólar sobre o real e pelo ambiente de aversão a risco global. A inclinação da curva de juros medida pela diferença entre as taxas para janeiro de 2021 e janeiro de 2017 superou 2 pontos percentuais pela primeira vez na história dos contratos.

"O risco está muito alto, a pouca credibilidade que restava evaporou. E tem espaço para (a curva) inclinar ainda mais", afirmou Petrassi.

 
Edifício do Banco Central em Brasília. 09/12/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino