BCE mantém postura de cautela enquanto mercados despencam

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 11:30 BRST
 

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu manteve inalteradas suas taxas de juros nas mínimas recordes nesta quinta-feira, mas o tombo do mercado, recuo das ações bancárias e inflação fraca podem deixar o palco pronto para o BCE agir mais tarde neste ano.

A decisão de manter o custo do empréstimo era esperada por todos os 59 analistas consultados pela Reuters após o BCE cortar sua taxa de depósito mais fundo em território negativo no mês passado, após as perspectivas da inflação enfraquecerem mais.

Na reunião desta quinta-feira, o BCE deixou sua taxa de depósito bancário, em -0,3 por cento. A principal taxa de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, permaneceu em 0,05 por cento e a de empréstimo ficou em 0,30 por cento.

Em dezembro, o Conselho do BCE cortou a taxa de depósito, aumentando o encargo dos bancos por guardarem dinheiro com o banco central, e expandiu seu programa de compra de títulos de governos.

O movimento de dezembro, apesar de menor do que muitos nos mercados queriam, tornou a decisão desta quinta-feira esperada. E agora os economistas voltam sua atenção para uma possível ação mais tarde no ano.

O presidente do BCE, Mario Draghi, que iniciaria uma entrevista coletiva às 11:30 (horário de Brasília), pode tratar da ameaça de baixa inflação, assim como dos tombos do petróleo e da turbulência nos mercados causada em parte pelo crescimento mais fraco da China.

Draghi também pode encarar questões sobre as quedas nos preços de ações e títulos de vários bancos, particularmente nos países do Sul da Europa, como a Itália. O custo do seguro contra um calote de muitos destes bancos subiu acentuadamente nas últimas semanas em meio a temores sobre empréstimos não pagos, sinalizando tempos difíceis à frente.

(Reportagem por Balazs Koranyi, Francesco Canepa e John O'Donnell)

((Tradução Redação São Paulo 55 11 5644 7509)) REUTERS EN AC

 
Sinal do euro em frente ao antigo prédio do Banco Central Europeu em Frankfurt, na Alemanha. 19/01/2016 REUTERS/Kai Pfaffenbach