Presidente do BCE promete revisão de política monetária em março com aumento de riscos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 13:51 BRST
 

Por Francesco Canepa e John O'Donnell

FRANKFURT (Reuters) - A turbulência nos mercados financeiros e as preocupações com a China e os outros mercados emergentes vão levar a uma revisão da política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE) em março, disse o presidente do BCE, Mario Draghi, nesta quinta-feira.

O euro enfraqueceu contra o dólar enquanto Draghi, falando após o BCE deixar inalteradas suas principais taxas de juros, dizia a jornalistas que o banco espera que as taxas "continuem no nível atual ou mais baixos por um período prolongado de tempo."

"Conforme começávamos o novo ano, os riscos aumentaram novamente em meio ao aumento da incertezas sobre as perspectivas de crescimento das economias dos mercados emergentes, da volatilidade dos mercados financeiros e de commodities e dos riscos geopolíticos", disse ele.

"Portanto, será necessário revisar e possivelmente reconsiderar nossa postura de política monetária em nossa próxima reunião, no começo de março", disse, criando potencial para agir mais cedo do que muitos no mercado esperavam.

Muitos analistas estavam prevendo um corte de mais 0,1 ponto percentual na taxa de depósito, atualmente em -0,30 por cento, mas não antes da reunião de junho.

Em dezembro, o Conselho do BCE cortou a taxa de depósito, aumentando a cobrança para bancos deixarem dinheiro parado no banco central, e expandiu seu programa de estímulos de 1,5 trilhão de euros para comprar principalmente títulos governamentais.

Defendendo as medidas, que ficaram aquém das expectativas de alguns investidores, Draghi disse que elas eram "inteiramente apropriadas e efetivas" dado o que era sabido no momento.

Outro dilema para o banco é que os preços baixos da energia estão agora impactando outros bens e serviços, levando até o núcleo da inflação para longe da meta do banco de próximo a 2 por cento e colocando em perigo a credibilidade da meta.

"Atualmente é esperado que as taxas de inflação continuem em níveis muito baixos ou negativos nos próximos meses, e que acelerem apenas mais tarde em 2016", disse ele.

(Reportagem adicional de Balazs Koranyi e Frank Siebelt)

 
Sinal do euro em frente ao antigo prédio do Banco Central Europeu em Frankfurt, na Alemanha. 19/01/2016 REUTERS/Kai Pfaffenbach