Alta do milho em SC pode quebrar pequenas indústrias e produtores de aves e suínos, dizem entidades

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 20:09 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Entidades ligadas ao agronegócio de Santa Catarina, principal Estado comprador de milho do Brasil, protestam contra a forte alta da cotação do cereal e afirmam que o aumento de custos pode provocar a falência de agroindústrias da região e de produtores de aves e suínos.

"Desemprego na indústria, insolvência de criadores e quebradeira de empresas são os efeitos temíveis se a crise não for contornada", disseram nesta quinta-feira a Organização das Cooperativas do Estado (Ocesc), Federação Estadual da Agricultura e Pecuária (Faesc) e Cooperativa Aurora, em nota conjunta.

Levantamento de preços feito pelo Cepea, ligado à Universidade de São Paulo, mostra que os preços do milho atingiram um recorde nominal na quarta-feira em Chapecó, principal cidade do oeste catarinense, onde se concentram as indústrias e os produtores de aves e suínos do Estado.

A saca de 60 quilos atingiu 41,86 reais, acumulando alta de 22,4 por cento apenas em janeiro ou de quase 60 por cento em 12 meses.

O milho é o principal insumo na composição da ração de aves e suínos, mas as lavouras de Santa Catarina não conseguem abastecer todo o consumo do Estado. Grandes volumes são comprados no Paraná e até em Mato Grosso, apesar dos custos de frete.

"As entidades querem evitar a repetição da crise do superencarecimento do milho de 2011/12, quando milhares de criadores quebraram e dezenas de agroindústrias fecharam ou foram incorporadas aos grandes grupos econômicos", completou a nota.

Os preços elevados devem-se principalmente ao aquecimento das exportações. A alta do dólar frente o real tem tornado o produto brasileiro muito competitivo no exterior.

O Brasil terminou 2015 com embarques de 30,7 milhões de toneladas de milho, alta de 47 por cento ante 2014, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), ao passo que a safra brasileira (2014/15) cresceu menos de 6 por cento.   Continuação...