Usinas eólicas atrasam com falência de fornecedor e problemas de transmissão

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016 10:59 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil caminha para mais do que dobrar a capacidade instalada de geração de energia eólica em quatro anos, com quase 10 gigawatts em usinas atualmente em construção, mas parte desses parques sofrerá atrasos pela falência de um grande fornecedor do setor e problemas em linhas de transmissão que vão levar a energia até a rede.

De acordo com relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), quase 20 por cento das usinas em instalação enfrentam riscos, seja pela falta de equipamentos após a quebra da argentina Impsa, que era das maiores fabricantes de turbinas eólicas no Brasil, seja pela perspectiva de atraso em linhas de transmissão.

Levantamento da Reuters com dados do relatório aponta que 1,46 gigawatt, ou 15 por cento do total, foi classificado pela Aneel como com potencial para atrasar a operação devido à falta de linhas de transmissão, enquanto quase 800 megawatts, ou 8 por cento, enfrentam problemas porque tinham fechado a compra de máquinas junto à Impsa.

"São problemas pontuais e que vão ser ultrapassados. Tem que haver um esforço muito grande de todas as autoridades para ultrapassar essa situação. Duvido que esses projetos fiquem pelo meio do caminho. Agora, que vão ficar atrasados, vão", afirmou o sócio da consultoria especializada em energias renováveis Braselco, Armando Abreu.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, também minimizou as dificuldades e disse que tem atuado junto aos empreendedores e ao governo para encontrar soluções para os projetos.

"A indústria eólica se tornou a segunda fonte de energia mais importante do Brasil. São negócios grandes e que enfrentam desafios naturais do processo de construção, de nascedouro de uma indústria", disse ela.

Segundo Elbia, a empresa mais afetada pela falência da argentina Impsa é a estatal Eletrobras. "Vai atrasar, mas vai sair, sim", afirmou.

Mesmo os atrasos por problemas na transmissão devem diminuir, uma vez que em leilões de energia mais recentes o governo federal limitou a participação a investidores com projetos de geração que tivessem a conexão à rede já garantida, sem necessidade de construção de novas linhas, observou a presidente da Abeeólica.   Continuação...