Sensores da Samarco alertaram sobre perigo antes de rompimento de barragem em Mariana, diz TV Globo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 10:42 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Samarco recebeu alertas de perigo de sensores terrestres em 2014 e 2015, meses antes do rompimento de uma barragem de rejeitos que provocou mortes e um desastre ambiental, de acordo com reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo.

Os alertas, feitos por sondas cravadas no estrutura da barragem para detectar a umidade e a estabilidade do solo, chegaram ao nível de "emergência", afirmou o Fantástico, com base em estudos de engenharia contratados pela Samarco que foram fornecidos aos promotores que investigam o caso.

O rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais, é considerado um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil.

A Samarco, uma joint venture em partes iguais entre a Vale e a australiana BHP Billiton, está em negociações com promotores federais e estaduais e agências ambientais sobre uma ação que cobra da empresa 20 bilhões de reais devido ao incidente.

O Fantástico disse que os estudos não incluem dados de sensores em áreas críticas para a integridade das ampliações recentes da barragem, em um sinal de que houve "desprezo" da empresa com relação aos dados dos sensores, de acordo com um promotor entrevistado pelo programa de televisão.

“É uma omissão extremamente grave, que compromete a segurança na operação”, disse o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, do Ministério Público do Minas Gerais, sobre os dados do sensor.

A ampliação da barragem, acrescentou o promotor, “comprometeu em uma forma decisiva para a rompimento”.

O rompimento da barragem, em novembro, provocou um tsunami de lama em centenas de quilômetros de vales e rios, matando 17 pessoas, acabando com pequenas cidades, poluindo água potável para dezenas de milhares de pessoas e destruindo a vida selvagem desde as montanhas de Minas até o oceano Atlântico.

Um advogado da Samarco disse ao Fantástico que a empresa seguiu todas as leis de segurança de barragens e legislações ambientais em vigor, e que a área da barragem onde não havia dados de sensores era a parte mais segura da estrutura.   Continuação...

 
Casa destruída após rompimento de barragem em Mariana, Minas Gerais.   13/11/2015   REUTERS/Ricardo Moraes