Projeção para alta de juros em 2016 cai e expectativa para inflação piora, diz pesquisa Focus

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 10:39 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - A perspectiva de economistas para o aperto monetário neste ano diminuiu depois de o Banco Central votar pela manutenção da taxa básica de juros em meio à forte recessão econômica, ao mesmo tempo em que pioraram as projeções para a inflação.

Pesquisa Focus com cerca de uma centena de economistas mostrou nesta segunda-feira que a projeção para a Selic caiu a 14,64 por cento no final de 2016, contra 15,25 por cento no levantamento anterior.

Na semana passada o BC deixou a Selic inalterada em 14,25 por cento ao ano apesar da inflação elevada. Depois de avaliarem que a decisão indica uma política monetária menos dura, os investidores agora aguardam a divulgação da ata da reunião, na quinta-feira, para entender melhor os próximos passos da entidade monetária. [nL2N1542NY]

Em relação ao próximo ano, a expectativa para a taxa básica de juros também recuou a 12,75 por cento no final de 2017, ante 12,88 por cento antes.

Em contrapartida, as estimativas para a inflação continuaram se deteriorando. Os especialistas continuam vendo a inflação em 2016 acima do teto da meta --de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais--, com a alta projetada para o IPCA sendo elevada em 0,23 ponto percentual, a 7,23 por cento.

As previsões para o ano que vem também seguem se distanciando do centro da meta, neste caso de 4,5 por cento com tolerância de 1,5 ponto. A estimativa agora é de avanço do IPCA de 5,65 por ento, contra 5,40 por cento antes.

O cenário que o BC enfrenta no momento é de contínua desancoragem das perspectivas de inflação, mas ao mesmo tempo de incertezas domésticas e externas que afetam com força a atividade econômica.

No Focus, a expectativa de contração do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi a 3,00 por cento, contra 2,99 por cento no levantamento anterior.

Para 2017, a projeção também foi piorada para um crescimento do PIB de 0,80 por cento, ante 1,00 por cento na semana anterior.

(Por Marcela Ayres)

 
Sede do Banco Central, em Brasília.    23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino