Inadimplência no Brasil sobe a 5,3% em 2015, estoque de crédito tem menor alta em 8 anos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 12:19 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - A inadimplência no mercado de crédito no país no segmento de recursos livres atingiu em 2015 o maior patamar em mais de três anos, num ambiente de pressão sobre o orçamento dos brasileiros, em meio à economia em recessão, inflação elevada, aumento do desemprego e condições mais duras de financiamento.

Nesse segmento, em que os empréstimos têm taxas de juros definidas livremente pelas instituições financeiras, a inadimplência foi a 5,3 por cento em dezembro, contra 5,2 por cento em novembro e 4,3 por cento um ano antes, divulgou o Banco Central nesta quarta-feira.

Com isso, a taxa foi ao nível mais alto desde novembro de 2012, quando havia ficado em 5,31 por cento.

O quadro reflete as condições mais apertadas no ano para a quitação de empréstimos, que ficaram mais caros diante do ciclo de aperto nos juros para combate à inflação, além do aumento da percepção de risco com um mercado de trabalho em deterioração e diminuição da renda média dos trabalhadores.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento da inadimplência se deu de maneira "bem comportada", já que em períodos de aumento de desemprego, como o vivido pelo país, há expectativa natural de elevação das taxas de não pagamento.

Ele disse que o movimento foi calcado sobretudo no avanço da inadimplência entre empresas. "Em outros episódios, o crédito às famílias era a maior preocupação, dessa vez está um pouco mais associado ao credito às empresas... e, na sua maior parte, o crédito associado a pequenas e médias empresas, dada a evolução da economia", disse.

Questionado sobre a intenção do governo de contemplar as companhias desse porte em novas medidas de crédito, numa tentativa de estimular a atividade, Maciel afirmou que ainda é cedo para fazer qualquer avaliação sobre o risco ao aumento da inadimplência.

"A gente tem que ver as condições que serão anunciadas desse crédito. Por isso não estou fazendo a avaliação de qualquer nova medida que eventualmente venha a ser tomada."   Continuação...