Limpeza de hidrelétrica atingida por rejeitos da Samarco pode levar até 2 anos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 18:03 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A hidrelétrica de Candonga, operada por Cemig e Vale, recebeu 9,1 milhões de metros cúbicos de rejeitos e lama após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco na região do rio Doce, em Minas Gerais, o que comprometeu a capacidade de geração da usina e deve exigir uma limpeza que poderia levar até dois anos, segundo documentos e especialistas.

Relatório da consultoria em engenharia e hidrologia Potamos ao qual a Reuters teve acesso calcula que a usina, a 120 quilômetros de Mariana (MG), onde ficava a barragem que estourou, "recebeu cerca de 30 por cento do total de rejeitos liberado pelo incidente".

No total, quatro usinas pararam logo na sequência do acidente, em novembro, em um total de 790 megawatts fora de operação.

Embora o montante não chegue a colocar em risco o suprimento de energia do país, a ausência das usinas ajuda a aumentar os custos do despacho de termelétricas, que estão ligadas desde o final de 2012 após dois anos de chuvas desfavoráveis.

No caso da usina de Candonga, análise contratada pela Aliança, joint venture entre Cemig e Vale responsável pelo empreendimento, apontou "uma situação de assoreamento quase total do volume morto do reservatório, até o limite das entradas dos dispositivos de descarga".

Em outras palavras, a lama está próxima demais do dutos de captação de água, o que cria risco de contato dos detritos com as máquinas, que poderia causar danos graves aos equipamentos.

O professor da Universidade Federal de Itajubá Geraldo Lúcio Tiago Filho, especialista em geração hídrica, explicou que o assoreamento representa o acúmulo de sedimentos no fundo do reservatório da usina.

"Isso vai diminuindo o volume do reservatório, e com isso diminui a quantidade de energia disponível da usina... se o volume morto está ocupado (por sedimentos), vai ter que desassorear", apontou.   Continuação...