BC adota tom mais brando em ata do Copom após manter juros em 14,25% ao ano

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 09:53 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central adotou um tom mais brando em relação à condução da política monetária nesta quinta-feira, ao sugerir maior tolerância com a inflação neste ano em meio à elevação das incertezas no cenário externo, com destaque para desaceleração na China e evolução dos preços do petróleo.

Em ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC repetiu que irá adotar as medidas necessárias para circunscrever a inflação aos limites de tolerância em 2016, fazendo-a convergir para a meta de 4,5 por cento em 2017.

Mas retirou a menção de que faria isso "independentemente do contorno das demais políticas" e a frase sobre a convergência da inflação "o mais próximo possível de 4,5 por cento em 2016", ambas presentes do documento da reunião anterior do Copom.

Em outra frente, o BC reafirmou que cabe à política monetária manter-se vigilante para que pressões inflacionárias detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos, diminuindo o tom em relação à última ata, em que assinalou que a política deveria manter-se "especialmente vigilante".

O documento apontou preocupação com o aumento das incertezas no cenário externo em diversos trechos, indicando, ao mesmo tempo, que em relação ao Brasil, continuam as incertezas sobre a velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, com o processo de realinhamento de preços relativos tendo se mostrado mais demorado e mais intenso que o previsto.

"As incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo", diz a ata.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano, patamar que segue inalterado desde julho de 2015, em polêmica decisão tomada em meio a pressões para que não mexesse nos juros devido à forte deterioração da economia, apesar do cenário de inflação elevada.

A decisão foi tomada por um placar de 6 x 2, sendo que os votos vencidos eram a favor de uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros.

Na ata, o BC apontou que para o membros que votaram a favor da manutenção da Selic "faz-se necessário acompanhar os impactos das recentes mudanças nos ambientes doméstico e externo no balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017".   Continuação...

 
Prédio do Banco Central em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino