BC adota tom mais brando em ata do Copom após manter juros em 14,25% ao ano

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 10:31 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central adotou um tom mais brando em relação à condução da política monetária nesta quinta-feira, ao sugerir maior tolerância com a inflação neste ano em meio à elevação das incertezas no cenário externo, com destaque para desaceleração na China e evolução dos preços do petróleo.

Em ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC repetiu que irá adotar as medidas necessárias para circunscrever a inflação aos limites de tolerância em 2016, fazendo-a convergir para a meta de 4,5 por cento em 2017.

Mas retirou a menção de que faria isso "independentemente do contorno das demais políticas" e a frase sobre a convergência da inflação "o mais próximo possível de 4,5 por cento em 2016", ambas presentes do documento da reunião anterior do Copom.

"Dado que ele também já havia sinalizado que não estava mais buscando 4,5 este ano e só no ano que vem, ele se contentará em não descumprir a banda (neste ano)... Ele vai estar olhando sobretudo pra 2017", disse o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, acrescentando que o cenário mais provável é de manutenção da Selic nas próximas reuniões, abrindo espaço para queda nos últimos encontros do ano, para 13,25 por cento.

Em outra frente, o BC reafirmou que cabe à política monetária manter-se "vigilante" para que pressões inflacionárias detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos, diminuindo o tom em relação à última ata, em que assinalou que a política deveria manter-se "especialmente vigilante".

O documento apontou preocupação com o aumento das incertezas no cenário externo em diversos trechos, indicando, ao mesmo tempo, que em relação ao Brasil continuam as incertezas sobre a velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, com o processo de realinhamento de preços relativos tendo se mostrado mais demorado e mais intenso que o previsto.

"As incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo", diz a ata.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano, patamar que segue inalterado desde julho de 2015, em polêmica decisão tomada em meio a pressões para que não mexesse nos juros devido à forte deterioração da economia, apesar do cenário de inflação elevada.   Continuação...

 
Prédio do Banco Central em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino