28 de Janeiro de 2016 / às 12:35 / em 2 anos

BC adota tom mais brando em ata do Copom após manter juros em 14,25% ao ano

Prédio do Banco Central em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central adotou um tom mais brando em relação à condução da política monetária nesta quinta-feira, ao sugerir maior tolerância com a inflação neste ano em meio à elevação das incertezas no cenário externo, com destaque para desaceleração na China e evolução dos preços do petróleo.

Em ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC repetiu que irá adotar as medidas necessárias para circunscrever a inflação aos limites de tolerância em 2016, fazendo-a convergir para a meta de 4,5 por cento em 2017.

Mas retirou a menção de que faria isso “independentemente do contorno das demais políticas” e a frase sobre a convergência da inflação “o mais próximo possível de 4,5 por cento em 2016”, ambas presentes do documento da reunião anterior do Copom.

“Dado que ele também já havia sinalizado que não estava mais buscando 4,5 este ano e só no ano que vem, ele se contentará em não descumprir a banda (neste ano)... Ele vai estar olhando sobretudo pra 2017”, disse o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, acrescentando que o cenário mais provável é de manutenção da Selic nas próximas reuniões, abrindo espaço para queda nos últimos encontros do ano, para 13,25 por cento.

Em outra frente, o BC reafirmou que cabe à política monetária manter-se “vigilante” para que pressões inflacionárias detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos, diminuindo o tom em relação à última ata, em que assinalou que a política deveria manter-se “especialmente vigilante”.

O documento apontou preocupação com o aumento das incertezas no cenário externo em diversos trechos, indicando, ao mesmo tempo, que em relação ao Brasil continuam as incertezas sobre a velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, com o processo de realinhamento de preços relativos tendo se mostrado mais demorado e mais intenso que o previsto.

“As incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo”, diz a ata.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano, patamar que segue inalterado desde julho de 2015, em polêmica decisão tomada em meio a pressões para que não mexesse nos juros devido à forte deterioração da economia, apesar do cenário de inflação elevada.

A decisão foi tomada por um placar de 6 x 2, sendo que os votos vencidos eram a favor de uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros.

Na ata, o BC apontou que para os membros que votaram a favor da manutenção da Selic “faz-se necessário acompanhar os impactos das recentes mudanças nos ambientes doméstico e externo no balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017”.

O economista sênior do Haitong, Flavio Serrano, avaliou que a chance de alta da Selic no curto prazo “é muito baixa”, já que as incertezas não devem se dissipar.

“Tem cenário de curto prazo que é ruim, mas o balanço de risco parece estar ficando favorável para inflação, mas como tem ambiente de incerteza, preferem esperar, isso é emblemático”, afirmou Serrano.

“A gente acha que os juros caem no segundo semestre”, acrescentou ele, também chamando a atenção para a queda da atividade econômica indicada na ata.

No documento, o BC aponta ritmo da expansão da economia neste ano inferior ao previsto anteriormente, num processo “especialmente intensificado pelas incertezas oriundas do efeito de eventos não econômicos”.

CENÁRIO

Um dia antes da decisão na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, ressaltou em incomum comunicado que o colegiado levava em conta todas as informações relevantes e disponíveis para sua deliberação, pouco depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgar uma piora nas previsões econômicas para o país.

A investida guiou uma virada radical na expectativa de economistas. Até então ela apontava, de forma majoritária, para uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica, diante de comunicações mais recentes da autoridade monetária que reiteravam seu compromisso para domar uma inflação que fechou 2015 em 10,67 por cento --mais do que o dobro da meta de inflação, de 4,5 por cento.

Na ata, o BC afirmou que pelo cenário de referência, que considera a manutenção da taxa de câmbio em 4 reais e a taxa Selic em 14,25 por cento ao ano, houve elevação da projeção para a inflação em relação ao valor considerado na reunião anterior, tanto em 2016 quanto em 2017, permanecendo acima da meta de 4,5 por cento neste ano e ligeiramente acima no ano que vem.

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