Desemprego cai em dezembro, mas renda média tem em 2015 primeira queda em 11 anos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 11:30 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A taxa de desemprego do Brasil caiu em dezembro com ajuda da sazonalidade, porém a renda média do trabalhador sofreu em 2015 a primeira queda em 11 anos em um mercado de trabalho marcado pela forte deterioração.

A taxa de desemprego calculada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi a 6,9 por cento em dezembro, contra 7,5 por cento em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Apesar do recuo, o resultado é o mais alto para meses de dezembro desde 2007 (7,4 por cento) e fica bem longe da mínima histórica de 4,3 por cento registrada no último mês de 2014, destacando a deterioração que o mercado de trabalho sofreu ao longo do ano passado em meio a uma economia em recessão e baixa confiança de investidores contaminada por crise política e indefinições fiscais.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 7,4 por cento por cento no mês na mediana das previsões.

Com o resultado, a taxa média de desemprego de 2015 ficou em 6,8 por cento, bem acima dos 4,8 por cento vistos no ano anterior e o nível mais alto desde 2009 (8,1 por cento), como resultado da forte deterioração econômica acompanhada de inflação e juros altos que prejudicaram a geração de vagas e afetaram com força a renda do trabalhador.

Segundo o IBGE, a renda média da população encerrou 2015 com alta de 1,4 por cento em dezembro sobre novembro, para 2.235,50 reais. Só que sobre o mesmo mês de 2014, houve queda de 5,8 por cento e, em 2015 como um todo, a média anual da renda caiu 3,7 por cento sobre 2014, primeira queda desde 2004.

"A piora do mercado do trabalho foi quase contínua ao longo do ano e o salário vem caindo. Isso é indício de que pelo menos no curto prazo não se deve esperar recuperação mais forte da atividade econômica, porque isso deve ser limitador da recuperação do consumo", disse o economista sênior do , banco de investimento Haitong Flávio Serrano.

Em dezembro, a população desocupada, que são as pessoas à procura de uma posição, caiu 7,6 por cento sobre o mês anterior, mostrando uma tendência sazonal de menor busca por vagas entre o Natal e o Ano Novo. Por outro lado, aumentou 61,4 por cento na comparação com um ano antes, para 1,733 milhão de pessoas.   Continuação...

 
Pessoas preenchendo fichas de emprego em São Paulo.     11/05/2015    REUTERS/Paulo Whitaker