ENFOQUE-Recessão faz Brasil ser destaque para assessorias de reestruturação de dívida

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 13:51 BRST
 

Por Tatiana Bautzer e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas de assessoria de reestruturação de dívida estão posicionadas para obterem negócios recordes no Brasil este ano, conforme a recessão no país e escândalos de corrupção lançam incertezas sobre dezenas de companhias, algo que tem levado a um crescimento da inadimplência corporativa.

Enquanto uma queda de preços pressiona produtores de commodities --de usinas de açúcar a petroleiras e mineradoras--, a operação Lava Jato também tem atingido muitos dos fornecedores dessas companhias.

O crescimento da inadimplência dos consumidores diante da alta dos juros também tem pressionado grandes varejistas e construtoras, engrossando a fila de empresas que precisam promover dolorosas reorganizações.

Diante da oportunidade, assessorias de reestruturação de dívida dos Estados Unidos, incluindo FTI Consulting, Houlihan Lokey e Moelis & Co montaram escritórios no Brasil nos últimos três anos para disputarem mandatos com bancos locais e consultorias independentes.

No ano passado, um recorde de 1.287 companhias brasileiras, a maior parte delas ligadas a equipamentos para a indústria do petróleo, construção e manufatura, pediram proteção judicial. Esse número representa um crescimento de 55 por cento sobre 2014. A agência de clasificação de crédito Fitch Ratings disse no mês passado que o risco de que mais empresas enfrentem crises de liquidez aumentou muito.

"Este será um ano recorde (para reestruturação de dívida)", disse Salvatore Milanese, ex-diretor de reestruturação para América Latina da KPMG International, que recentemente abriu sua própria empresa, a Pantalica Partners. "As maiores empreiteiras estão se reestruturando, assim como muitas empresas de óleo e gás e a maior parte do setor de etanol."

Milanese afirmou que os problemas se propagam para mineradoras, bancos médios e mesmo produtores de soja. Ele estimou que as companhias brasileiras estão se preparando para renegociar um total de 150 bilhões de reais em dívida.

Para lidar com isso, bancos e escritórios de advocacia estão ampliando suas equipes. Algumas assessorias na área estão aceitando ações como pagamento ou cobrando taxas e comissões maiores para serem pagas quando conseguirem tirar o cliente do processo de recuperação ou reestruturarem as dívidas sem que precisem recorrer à proteção judicial.   Continuação...