Pressão de chineses para queda de preços de celulose não reflete mercado, diz Fibria

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 14:49 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Fibria disse nesta quinta-feira que a pressão de clientes chineses, inciada em outubro do ano passado, para que os preços da celulose caiam não tem suporte nos fundamentos do mercado, depois de ter reduzido sua exposição à Ásia durante o último trimestre.

O diretor comercial e de logística internacional da Fibria, Henri Philippe van Keer, afirmou em teleconferência que o movimento dos clientes foi apoiado pelo uso de estoques e pela substituição de fibra curta, produzida pela empresa, por fibra longa. Contudo, a Fibria continua vendo boa demanda por celulose, pois não enxerga redução na produção de papel na China, além de não ver excesso de oferta.

"Acreditamos que os chineses voltarão a comprar pesadamente após o Ano-Novo chinês", afirmou.

Sem aceitar vendas por preços menores, a Fibria aumentou o direcionamento de volumes de produção para a Europa e Estados Unidos no quarto trimestre. "Os descontos (na Europa e Estados Unidos) são maiores, mas são menos do que se a gente tivesse vendido mais para a Ásia", afirmou van Keer. Isso contribuiu para proteger a margem da companhia, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo.

O volume de vendas da Fibria no período de outubro a dezembro foi 7 por cento inferior ao do quarto trimestre de 2014 devido às menores vendas para a Ásia.

Mantendo o tom otimista, a companhia também disse a analistas que a desvalorização do iuan pode ser um problema no curto prazo, mas deve dar competitividade às produtoras de papel chinesas e fazer com que elas exportem mais. Isso seria uma oportunidade para aumentar as vendas em 2016.

"Continuamos a ter uma perspectiva boa para o ano", disse van Keer, acrescentando que os mercados europeu e norte-americano estão com boa performance.

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