Presidente do Bradesco inaugura Conselhão comparando país a carro com farol voltado à ré

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 16:23 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, foi retomado nesta quinta-feira já debaixo de críticas ao governo, com o primeiro conselheiro a falar, o presidente-executivo do Bradesco BBDC4.SA, Luiz Carlos Trabuco, comparando o país a “um carro que anda com os faróis voltados à ré”.

O executivo defendeu ainda que a meta de inflação e a responsabilidade fiscal devem ser pilares para a retomada do crescimento econômico, em meio a um cenário de alta dos preços e desequilíbrio das contas públicas.

“Acredito que muitas coisas boas estão aí para dar início a essa retomada. Por exemplo, a convicção de que a base constituída pelas metas de inflação, câmbio, responsabilidade fiscal são os pilares necessários para gerar o crescimento posterior”, disse Trabuco, após afirmar que a angústia comum do Brasil hoje é tirar o país da recessão.

“Para a retomada do caminho do futuro é preciso acabar com a crença de que é possível, de forma permanente, dirigir um carro que avança na noite com os faróis voltados à ré. Precisamos avançar”, disse.

Formado por empresários e representantes dos trabalhadores –incluindo as principais centrais sindicais– e da sociedade civil, como o escritor Fernando Morais, o Conselhão, que não se reunia desde julho de 2014, foi chamado pelo governo com a intenção de discutir meios para reaquecer a economia e tirar o país da crise. Já na chegada, no entanto, os participantes indicaram que um consenso não será fácil.

Enquanto o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, cobrava que o país precisa de reformas “mais profundas”, como a da Previdência e a trabalhista, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, disse temer justamente que o governo resolva compensar a falta da CPMF, caso não consiga aprová-la, com essas reformas.

Questionado se era o momento de aumentar o crédito no país, Andrade respondeu que é sempre importante, mas que o país precisa de outras medidas, “mais eficazes”.

“Precisa de reformas contundentes, da questão da Previdência, a questão trabalhista, tributária, uma reforma administrativa", afirmou Andrade.   Continuação...