Governo apresenta pacote de crédito de R$83 bi para estimular economia

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 21:54 BRST
 

Por Marcela Ayres e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal decidiu novamente recorrer à oferta de crédito para tentar impulsionar a economia, e anunciou nesta quinta-feira um pacote de crédito de 83 bilhões de reais, que inclui a possibilidade de utilização de recursos do FGTS para garantir empréstimos consignados.

O anúncio vem em um momento em que a economia caminha para registrar a sua pior recessão em um século, com a inflação acima de 10 por cento, déficit fiscal histórico e com a presidente Dilma Rousseff enfrentando um pedido de impeachment.

O pacote foi apresentado durante a primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão, que reúne representantes do empresariado, dos trabalhadores e da sociedade civil, no segundo mandato da presidente.

"Houve queda real na oferta de crédito em todas as linhas. É preciso normalizar as condições de crédito no Brasil. Isso envolve várias iniciativas, todas elas sem gerar custo adicional para a União. Temos que usar melhor os recursos que já estão disponíveis", disse o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em entrevista coletiva após a reunião do Conselhão.

Barbosa disse que o estímulo à demanda não gera custos para a União e não coloca em risco o combate à inflação, que fechou 2015 em 10,67 por cento, muito acima da meta do governo de 4,5 por cento.

"Não é injeção de mais liquidez no sistema financeiro. São 83 bilhões de reais de recursos que já existem. Ou seja, não são uma injeção que terá que ser esterilizada, como dizemos. São recursos que já estão no FGTS, nos bancos públicos, que podem ser melhor utilizados", disse Barbosa.

"Hoje você ainda tem inflação elevada por choques de oferta e que está sendo combatida com os meios apropriados pelo Banco Central", acrescentou.

Ele avaliou ainda que há demanda para esses empréstimos, chamando a atenção para um crescimento do estoque de crédito no país inferior à inflação no ano passado.   Continuação...

 
Presidente Dilma e ministro Nelson Barbosa durante reunião do Conselhão
 28/1/2016 REUTERS/Adriano Machado