Dilma reconhece resistência à CPMF, mas pede "encarecidamente" apoio a tributo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 21:16 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar da clara resistência de boa parte dos conselheiros, a presidente Dilma Rousseff usou sua fala na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, nesta quinta-feira, para pedir “encarecidamente” apoio à aprovação da CPMF, mesmo se dizendo aberta ao diálogo e a outras sugestões.

“Muitos aqui podem ter dúvidas e até mesmo se oporem a essas medidas, em especial à CPMF. Certamente terão bons argumentos”, disse Dilma em discurso que encerrou o encontro, primeiro desde julho de 2014.

“Mas eu peço, no entanto, e peço encarecidamente, que reflitam sobre a excepcionalidade do momento, que torna a CPMF a melhor solução disponível.”

Dos 92 integrantes, a metade é formada por empresários, a maior parte contrária à recriação do imposto. Diversos empresários e associações empresariais já se manifestaram abertamente contra a volta da contribuição.

“Sempre que se aumenta imposto nos preocupa. Então entendemos que não adianta CPMF se não cortar gasto público, porque todo ano teremos que ter uma nova CPMF, porque o gasto sobe exponencialmente e não há quem consiga segurar isso”, afirmou José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Construção.

Para Martins, a principal medida a ser tomada é corte de gasto público.

O presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, também confirmou que o setor se preocupa com a criação de mais um tributo, mas acredita que há espaço para negociação.

“O apelo que o ministro (da Fazenda) Nelson Barbosa e também a presidente Dilma fizeram é de que o conselho, a partir da formação dos grupos de trabalho, sente e analise a proposta. Então faremos isso. Até porque nós não tivemos acesso a todos os números que possam demonstrar a importância ou não desse mecanismo”, disse.   Continuação...

 
Presidente Dilma durante reunião do Conselhão
 28/1/2016 REUTERS/Adriano Machado