Inflação da zona do euro acelera, mas não vai impedir BCE de afrouxar mais política monetária

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 11:00 BRST
 

BRUXELAS (Reuters) - A inflação da zona do euro acelerou em janeiro, o que é um alívio apenas modesto para o Banco Central Europeu (BCE) que ainda deve cortar os juros novamente já que os preços podem cair por volta da primavera (no hemisfério norte) e com os empréstimos sofrendo um revés inesperado.

A inflação tem ficado perto de zero há mais de um ano, bem abaixo da meta do banco central de quase 2 por cento, e o presidente do BCE, Mario Draghi, já disse que outro pacote de afrouxamento da política monetária pode ser revelado em março.

A inflação, principal indicador acompanhado pelo BCE, subiu 0,4 por cento ante 0,2 por cento, enquanto o núcleo da inflação, que desconsidera os preços voláteis da energia e alimentos, subiu 1 por cento contra 0,9 por cento, revertendo a queda do mês passado.

"Não se deixe enganar pelo aumento de hoje da inflação da zona do euro, ela foi afetada pelos efeitos de base que provavelmente serão mais do que revertidos em fevereiro", disse o economista do Nordea Jan von Gerich.

"A recente recuperação dos preços do petróleo é um consolo limitado para o BCE, já que as expectativas para a inflação não têm mostrado um aumento similar", acrescentou. "Mais estímulos monetários são aguardadas em março."

De dato, o influente presidente do Bundesbank, Jens Weidman, alertou na quinta-feira que as previsões da inflação para este ano devem ser significativamente reduzidas e os números podem se tornar negativos nos meses à frente.

Somando-se a essas preocupações, o crescimento dos empréstimos para o setor privado sofreu uma inesperada desaceleração, próximo da estagnação, em dezembro. O crescimento dos empréstimos corporativos desacelerou para 0,3 por cento e até a expansão de novembro foi revisado para 0,7 por cento, contra 0,9 por cento divulgado inicialmente.

(Reportagem por Jan Strupczewski)