No Brasil, chanceler da Venezuela acena com mudança em setor de mineração para atrair investimentos

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 16:47 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Em meio a um agravamento ainda maior da crise econômica em seu país, a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu em visita ao Brasil nesta sexta-feira mudança dos marcos regulatórios nas áreas petroquímica e de mineração para tentar atrair investimentos.

Ao mesmo tempo, a chanceler pediu a intervenção do governo brasileiro para que empresas de alimentos e farmacêuticas do Brasil incrementem suas exportações para a Venezuela, apesar do país produtor de petróleo ter dívidas há pelo menos três anos com exportadores brasileiros, disseram à Reuters duas fontes diplomáticas brasileiras.

O levantamento mais recente do Itamaraty aponta dívidas de cerca de 2 bilhões de dólares, mas isso inclui apenas parte das empresas que têm problemas para repatriar recursos, porque não conseguem trocar bolívares por dólares. A Câmara de Comércio Venezuela-Brasil tem como último dado, da meados de 2015, 5 bilhões de dólares.

De acordo com uma das fontes do Itamaraty, Delcy deu esperanças de que as dívidas serão pagas, apesar de o governo venezuelano prever uma queda de 80 por cento na entrada de divisas no país em 2016, que sofre com a queda dos preços do petróleo.

Ainda assim, as exportações nas áreas consideradas como essenciais –alimentos e medicamentos– se mantém, mesmo tendo diminuído nos últimos dois anos, porque as empresas recebem os recursos adiantados. Nesta sexta-feira, a chanceler venezuelana teve um encontro com executivos da farmacêutica Eurofarma, que estudava produzir no país vizinho, mas ainda não definiu se o fará.

Em janeiro de 2015, logo após a posse da presidente Dilma Rousseff, Maduro já havia pedido a intervenção do governo brasileiro para que as exportações para a Venezuela fossem garantidas, mas as dívidas dificultaram as negociações.

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