Portuguesa Tecneira desiste de parque eólico no Brasil após quebra de fornecedor

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 17:03 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A desenvolvedora portuguesa de projetos de energia renovável Tecneira desistiu de implementar um parque eólico em Trairi, no Ceará, após a falência da fornecedora de equipamentos Impsa, de quem seriam compradas as turbinas do empreendimento, afirmou à Reuters um advogado da empresa.

A companhia já formalizou a intenção junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que em análise preliminar sugeriu penalidades de cerca de 11 milhões de reais pela desistência, o que representa quase 20 por cento do investimento previsto na usina.

A Tecneira, que pertence ao grupo português CME, apostou em uma investida no setor eólico brasileiro em 2011, quando obteve em leilões contratos para erguer duas usinas no Ceará, que somariam 42 megawatts em potência e 165,5 milhões de reais em investimentos.

Agora, a companhia tenta abandonar o parque de Trairi, sequer iniciado, e negociar com o regulador condições que viabilizem a conclusão da outra usina, em Acaraú, que já está com obras avançadas, mas pararam porque as turbinas não foram entregues pela Impsa.

"A companhia está bem frustrada... Tem uma frustração financeira, e também pelo negócio não ter dado certo. Ela apostou muito no Brasil e está apostando em uma decisão favorável da Aneel para renegociar e continuar no país", disse à Reuters o advogado Tiago Lobão Cosenza, sócio do escritório Leite, Tosto e Barros, que representa a Tecneira.

O parque de Trairi deveria começar a gerar energia neste ano, enquanto o de Acaraú deveria ter iniciado a operação em 2014.

"Ao assinar tais contratos, ainda que a energia resultante deles possa ser considerada de pequena monta, (a Tecneira) assumiu o compromisso com o fornecimento de energia neles prevista", afirmou a Aneel em nota técnica sobre o pedido da Tecneira.

As mesmas multas sugeridas ao parque de Traiti poderão ser aplicadas à usina de Acaraú, caso a Aneel não aceite pleito da empresa portuguesa para renegociar o prazo e a receita para a conclusão da obra. No momento, a empresa está protegida de eventuais punições por uma liminar.   Continuação...