Dilma defende no Congresso meta fiscal flexível e limite para gastos

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016 19:35 BRST
 

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff defendeu, sob vaias de parlamentares, a recriação da CPMF em mensagem ao Congresso Nacional lida nesta terça-feira, como medida excepcional de curto prazo para ajustar as contas públicas, até que medidas estruturais para o reequilíbrio fiscal surtam efeito.

Ao pedir o apoio do Congresso na discussão de medidas consideradas prioritárias para o governo, Dilma defendeu o estabelecimento de metas fiscais flexíveis, limite para o crescimento dos gastos governamentais e uma reforma da Previdência.

"Como a maioria dessas iniciativas só tem impactos fiscais graduais e impactos de médio e longo prazo, não podemos prescindir de medidas temporárias para manter o equilíbrio fiscal", disse Dilma em cerimônia de retomada dos trabalhos do Legislativo.

"As principais medidas temporárias são a aprovação da CPMF e a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União pelo Congresso Nacional", disse a presidente, sob vaias de alguns parlamentares.

A recriação da CPMF é a principal aposta do governo entre as medidas de ajuste fiscal enviadas ao Congresso na tentativa de equilibrar as contas públicas neste ano, mas o projeto enfrenta forte resistência entre senadores e deputados.

No momento da defesa da nova tributação, parlamentares da oposição, que desde antes do evento já empunhavam cartazes com os dizeres "Xô CPMF", vaiaram a presidente.

"Sei que muitos tem dúvidas, e até mesmo se opõem a essas medidas, em especial a CPMF, e têm argumentos para suas posições, mas peço que considerem a excepcionalidade do momento. Levem em conta dados, e não opiniões, que tornam a CPMF a melhor solução disponível para ampliar no curto prazo a receita fiscal."

A adoção de metas fiscais flexíveis e de um limite para o crescimento das despesas foi defendida na semana passada pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Dilma também prometeu dar continuidade à reforma administrativa como parte do esforço para reduzir gastos com a máquina pública.   Continuação...

 
Dilma, na chegada ao Congresso
 2/2/2016 REUTERS/Adriano Machado