Paralisação em aeroportos termina com cancelamento e atraso de voos

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 12:30 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A paralisação deflagrada por aeroviários e aeronautas na manhã desta quarta-feira terminou às 8h, levando ao atraso de 347 voos domésticos do país e ao cancelamento de 157 até as 12h, de acordo com dados da Infraero, em meio à briga das categorias com as empresas aéreas por reajuste salarial retroativo à data-base.

Os dados não incluem os aeroportos de Guarulhos (SP), Belo Horizonte/Tancredo Neves (MG) e São Gonçalo do Amarante (RN). De acordo com a concessionária do aeroporto de Guarulhos (SP), de 192 voos programados, 3 foram cancelados e 58 sofreram atrasos até as 11h.

Além de Guarulhos, a paralisação atingiu os aeroportos de Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ), Galeão (RJ), Viracopos (SP), Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, José Adriano Castanho, a participação dos aeronautas no movimento superou as expectativas, uma vez que profissionais que não estavam trabalhando foram para os aeroportos uniformizados. Muitos voos foram cancelados antecipadamente pelas companhias aéreas, disse.

Os aeronautas e aeroviários rejeitaram proposta de reajuste de 11 por cento nos salários feita pelas empresas aéreas por prever parcelamento do aumento, que não seria retroativo até a data-base de 1º de dezembro de 2015.

Após a manifestação, estavam previstas assembleias em cinco cidades para definir quais os próximos passos das categorias.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) argumenta que, nos últimos dez anos as companhias aéreas promoveram automaticamente o reajuste na data-base. Porém, desta vez, citou o prejuízo acumulado de 3,7 bilhões de reais do setor de janeiro a setembro, o que tornou 2015 um dos piores anos da história da aviação comercial brasileira.

Na avaliação do vice-presidente do sindicato dos aeronautas, Rodrigo Spader, embora as empresas estejam sofrendo com a crise, o discurso não se sustenta. "As empresas receberam aportes de recursos e há empresas com mais de 1 bilhão de reais em caixa", afirmou.   Continuação...

 
Paralisação deflagrada por aeroviários e aeronautas no aeroporto de Congonhas, São Paulo.   03/02/2016   REUTERS/Paulo Whitaker