ENTREVISTA-Hidrovias do Brasil prevê exportação de grãos pelo Norte a partir de julho

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 14:36 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As multinacionais Noble Agri, Nidera e Multigrain vão se estabelecer definitivamente nas rotas de escoamento de grãos pela bacia amazônica a partir de julho, com a entrada em operação de novos terminais construídos pela empresa de logística Hidrovias do Brasil, os maiores na região até o momento.

"Vamos começar a receber (grãos) entre fevereiro e março... A gente tem intenção de iniciar operação cheia a partir de julho", disse à Reuters o presidente-executivo da Hidrovias do Brasil, Bruno Serapião.

A Hidrovias, que tem contratos com Noble Agri, Nidera e Multigrain, tradings controladas por asiáticos, define-se como "operador logístico de bandeira branca" e está finalizando a construção de um terminal fluvial no distrito de Miritituba, no Pará, no encontro da BR-163 com o rio Tapajós, onde soja e milho levados de caminhão serão colocados em barcaças.

De lá, os comboios seguem pelos rios amazônicos até Vila do Conde, no município de Barcarena, na região metropolitana de Belém (PA), onde haverá o embarque dos produtos em navios graneleiros, rumo ao mercado internacional.

Serapião evitou comentar sobre o volume que será embarcado pelos terminais em 2016, mas a expectativa é de atingir uma capacidade de 6,5 milhões de toneladas ao ano, em até cinco anos, com investimentos totais de 1,5 bilhão de reais, incluindo obras em terra e a aquisição de barcaças e empurradores.

A Noble Agri, controlada pela chinesa Cofco, a holandesa Nidera, também controlada pela Cofco, e a Multigrain, subsidiária no Brasil da japonesa Mitsui, assinaram contratos de longo prazo para utilizar a estrutura de escoamento, dando lastro para os investimentos da Hidrovias do Brasil.

Segundo o executivo, haverá respeito aos contratos já firmados, mas nada impede a Hidrovias de atender outros clientes.

A empresa é a terceira a operar efetivamente na região de Miritituba, considerada um dos novos polos de logística do agronegócio brasileiro, onde diversas empresas já compraram terrenos e caminham para implementar projetos.   Continuação...