ENTREVISTA-Banco dos Brics espera grau de investimento apesar de rebaixamento de Brasil e Rússia

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 21:05 BRST
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) fundado pelos países que formam os Brics espera se descolar da turbulência nos mercados emergentes e do rebaixamento de dois de seus membros para assegurar um rating com grau de investimento, disse o vice-presidente do banco, Paulo Nogueira Batista.

Apesar da volatilidade nos mercados emergentes, o banco planeja avançar com sua primeira emissão em iuanes, a moeda chinesa, no segundo trimestre, disse Nogueira. O volume ainda não foi definido, acrescentou ele.

Os Brics --Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul-- uniram-se oficialmente em 2009 para pressionar por mais voz no cenário financeiro global. O banco iniciou as operações no ano passado, como parte do esforço para desafiar o controle ocidental no sistema financeiro global.

A forte desaceleração de economias emergentes, com o fim do boom das commodities da década passada, tem levantado dúvidas sobre sua influência em uma economia global há muito dominada pelos Estados Unidos e pela Europa.

Brasil e Rússia perderam seus selos de bons pagadores por agências de classificação de risco no ano passado, com a queda nos preços de commodities ajudando a ampliar a recessão nesses países.

Nogueira, ex-representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional (FMI), disse que os rebaixamentos não eram positivos para o banco, mas que não eram os únicos fatores.

"As agências de rating olham para as práticas de gestão de riscos, capital e financiamento e qualidade do portfólio... É um exercício muito complexo", disse.

Nogueira disse que o banco está analisando se busca a maior nota na escala de ratings, a nota "AAA", que demanda colchões de capital maiores, ou o segundo melhor rating, "AA".   Continuação...