BC britânico corta previsão de crescimento e deixa juros inalterados

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 10:50 BRST
 

Por David Milliken e Ana Nicolaci da Costa

LONDRES (Reuters) - O banco central britânico cortou suas projeções de crescimento econômico nesta quinta-feira devido à perspectiva global pior, e a única autoridade que vinha defendendo um aumento dos juros nos últimos meses abandonou inesperadamente sua posição.

O Banco da Inglaterra disse que as quedas acentuadas dos preços do petróleo e das ações, e os riscos significativos nas economias emergentes, pesaram sobre a perspectiva internacional, embora a resiliente demanda doméstica deva garantir que o crescimento britânico continue próximo da sua média de longo prazo.

"O crescimento global recuou mais nos últimos três meses, com as economias emergentes continuando a desacelerar e a economia dos Estados Unidos crescendo menos do que o esperado", disse o banco em sua projeção trimestral.

O banco central disse que seu Comitê de Política Monetária votou nesta semana por 9 a 0 pela manutenção da taxa de juros na mínima recorde de 0,5 por cento, patamar em que está há quase sete anos.

O membro do Comitê Ian McCafferty, que votava pelo aumento dos juros desde agosto, mudou inesperadamente seu voto.

O banco central disse que ainda é mais provável que a taxa de juros suba gradualmente ao longo do próximos três meses do que não suba. Mas parece que não há pressa para seguir o Federal Reserve, banco central dos EUA, que elevou sua taxa de juros em dezembro, pouco antes da última turbulência do mercado.

O Banco da Inglaterra passou a projetar que a economia britânica vai crescer 2,2 por cento este ano e 2,3 por cento em 2017, abaixo das projeções anteriores de novembro de 2,5 e 2,6 por cento respectivamente, e praticamente inalteradas ante 2015, quando o crescimento ficou abaixo das expectativas.

Está previsto também que a inflação aos consumidores fique abaixo de 1 por cento em 2016 - mais tempo do que anteriormente previsto - mas então deve subir para mais de 2 por cento no período de 2 anos, semelhante às últimas projeções.