IPCA sobe mais que o esperado em janeiro com alimentos e coloca pressão sobre o BC

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 19:28 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira acelerou mais do que o esperado em janeiro e começou 2016 no maior nível em pouco mais de 12 anos no acumulado em 12 meses, colocando ainda mais pressão sobre o Banco Central no momento em que adotou um tom mais brando em relação à condução da política monetária.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,27 por cento em janeiro, após alta de 0,96 por cento em dezembro, o nível mais alto para o mês desde 2003 (2,25 por cento), de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, a alta do índice acumulada em 12 meses até janeiro foi a 10,71 por cento, acima dos 10,67 por cento vistos em dezembro, quando encerrou 2015 estourando o teto da meta do governo pela primeira vez desde 2003. Esse é o patamar mais elevado nessa base de comparação desde novembro de 2003 (11,02 por cento).

O resultado, que teve como principais pressões alimentos e transportes, frustra as expectativa de que os preços começariam a ceder após os aumentos da taxa básica de juros e o aprofundamento da recessão no ano passado.

"Sempre se pode argumentar que é um problema pontual da parte de alimentação. Mas o que enfraquece isso é que o índice de difusão está em torno de 78 por cento e, além da questão climática, há seguidos aumentos de impostos", pontuou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.

Os resultados ficaram acima de todas as projeções em pesquisa da Reuters, cujas medianas eram de avanço de 1,10 por cento sobre dezembro e de 10,52 por cento em 12 meses.[nL2N15J1LF]

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Mulher observa placas com preços de alimentos em mercado no Rio de Janeiro. 21 de janeiro de 2016.REUTERS/Pilar Olivares