Brasil vê queda de 30% nas sondas de exploração de petróleo entre 2012 e 2015

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 15:42 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A queda dos preços do petróleo e as fragilidades econômicas sofridas pela Petrobras, que lidera o ranking de petroleiras mais endividadas do mundo, causaram uma queda de quase 30 por cento no número de sondas de perfuração marítimas em operação no Brasil entre 2012 e 2015.

Dados levantados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a pedido da Reuters, mostraram que em 2015 havia 67 sondas de perfuração em operação no país, contra 92 unidades em 2012, 86 em 2013, 72 em 2014.

De meados de 2014 até agora, o preço do petróleo tipo Brent caiu mais de 70 por cento, para operar por volta dos 34 dólares por barril, trazendo prejuízos para o setor e obrigando petroleiras a cortar investimentos em todo mundo, com impacto na exploração de novas áreas, que possivelmente terá reflexos na produção futura do país.

O sócio de impostos do Centro de Energia e Recursos Naturais da Ernst & Young (EY) Marcio Oliveira destacou que o preço do petróleo na casa dos 30 dólares o barril leva investidores a postergarem investimentos. Mas frisou que as dificuldades financeiras da Petrobras, que vão além dos preços, contribuem para o cenário.

"Estamos observando uma redução significativa dos investimentos (no Brasil) por conta do preço de petróleo e da dificuldade da Petrobras acompanhar os investimentos", afirmou.

Com a redução do número de sondas, o número de poços exploratórios concluídos em 2015 foi de 78 unidades, uma queda de 65 por cento ante 2012, de acordo com os dados da ANP.

Diante do cenário, as empresas estão buscando realizar poços exploratórios menos arriscados, como os que buscam delimitar ou ampliar uma reserva, destacou o coordenador do curso de Integração de Sismoestratigrafia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e geólogo de petróleo, Hernani Chaves.

Dessa forma, segundo ele, os poços pioneiros, realizados para testar a existência de petróleo ou gás, estão sendo postergados. "Com o preço que está, não está muito agradável tentar novas aventuras, mas isso é no mundo inteiro, não só no Brasil", afirmou o especialista.   Continuação...