Com saques na poupança, Caixa Econômica Federal amplia restrição a crédito imobiliário

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 19:24 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal está ampliando o rigor na concessão de empréstimo imobiliário, na esteira de sucessivos resgates na caderneta de poupança, principal fonte de recursos para o setor.

Embora formalmente o banco estatal ainda exiba condições inalteradas, a aprovação dos pedidos de financiamento está sendo mais rigorosa e demorada, segundo profissionais do mercado imobiliário, de construtoras e da própria Caixa.

Mutuários potenciais sem renda formal ou estável, como autônomos, estão tendo pedidos reprovados. E os que têm o pedido de empréstimo avalizado estão tendo que esperar até cinco meses para receber os recursos, e sendo 'convidados' a pagar um valor maior de entrada.

"O processo está demorando muito mais e às vezes dão menos crédito do que o pedido pelo tomador", disse à Reuters a sócia da consultoria Akamines Negócios Imobiliários Daniele Akamine.

Dois gerentes de agências da Caixa consultados pela Reuters confirmam o aumento do rigor na aprovação das propostas.

"Estamos fazendo menos crédito imobiliário e mais devagar", disse um gerente de uma agência da Caixa na capital paulista, sob condição de anonimato.

Além disso, o banco está priorizando a concessão do crédito para mutuários de empreendimentos cuja construção foi financiada pelo próprio banco, segundo as fontes.

A Caixa é a maior financiadora de imóveis do país, com cerca de 60 por cento do mercado. Em 12 meses até setembro, o avanço desses empréstimos na Caixa foi de 17 por cento e a expectativa do banco é que tenha fechado 2015 com alta de 15 por cento. Desde 2011, quando a taxa de crescimento alcançou 41 por cento, o ritmo de expansão do estoque de financiamentos da Caixa para habitação vem desacelerando, e pode continuar caindo em 2016.   Continuação...

 
Pessoas caminham em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal no centro do Rio de Janeiro. 20 de agosto de 2014. REUTERS/Pilar Olivares