Atraso no fim do El Niño deve beneficiar lavouras de milho do Brasil, diz especialista

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 19:20 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Uma mudança no padrão dos ventos no oceano Pacífico deverá alterar o deslocamento das águas mais quentes e atrasar em quatro a seis semanas o declínio do fenômeno climático El Niño, beneficiando as lavouras da segunda safra de milho no Brasil, disse nesta sexta-feira um especialista da consultoria Lanworth.

"Sem os dois ciclones tropicais que ocorreram no Pacífico veríamos uma queda muito mais rápida no El Niño. No longo prazo, isso empurra a janela de clima favorável para lavouras na América do Sul por quatro a seis semanas", afirmou à Reuters o analista climático Adam Turchioe, da Lanworth, em Chicago.

A duração da janela de chuvas de verão tem sido uma grande preocupação de produtores de milho em Estados como Mato Grosso, onde o cereal é semeado logo após a colheita de soja.

O objetivo dos agricultores sempre é conseguir antecipar o calendário da soja para que o desenvolvimento do milho ocorra antes do fim do período de chuvas. A tensão ocorre neste ano porque uma seca inesperada atrasou o plantio da soja em setembro e outubro, empurrando também a janela de cultivo do cereal.

A previsão de Turchioe é de tempo chuvoso em março e abril no país.

"Esse El Niño prolongado e outras variáveis atmosféricas que estamos analisando vão ajudar... No curto prazo, os próximos dias parecem mais secos. Mas o tempo fica mais chuvoso a partir da última semana de fevereiro e início de março", disse o especialista, ponderando, contudo, que a previsão para maio ainda é incerta.

Um fenômeno parecido ocorreu no ano passado, quando também havia inicialmente incertezas sobre a janela de chuvas para o chamado "milho safrinha". Contudo, o período de chuvas prolongou-se além do esperado em 2015, garantindo excelentes produtividades no Centro-Oeste.

"Analisei dados dos últimos 35 anos e o ano com mais correlação com o atual realmente é 2015", afirmou Turchioe.   Continuação...