ANÁLISE-Brasil flerta com nova onda de privatizações na distribuição de energia

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 20:37 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Quando for batido o martelo no leilão de privatização da distribuidora de energia Celg-D, da Eletrobras, o Brasil poderá ver de volta a política adotada há quase 20 anos, quando o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou a venda de estatais distribuição para enfrentar um problema fiscal e ao mesmo tempo solucionar a falta de capacidade de investimento estatal.

Há grande expectativa sobre o leilão, previsto para março, e que poderá movimentar no mínimo 2,8 bilhões de reais. Um bom resultado pode desencadear a venda de outras distribuidoras pela União e os Estados.

A Eletrobras já anunciou a intenção de vender até outras seis distribuidoras e especialistas acreditam que os governos estaduais podem seguir o mesmo caminho, vendendo as concessionáras para gerar caixa, em um momento em que o setor público brasileiro sofre com acentuada perda de arrecadação.

"O tema está na pauta. A questão toda é se esse movimento iniciado pelo governo federal pode encontrar eco nos governos estaduais, e acho que sim", afirmou à Reuters o analista do JP Morgan, Marcos Severine. "Um dos temas mais importantes é a dificuldade que os Estados estão passando, e tem uma quantidade grande de ativos controlados pelos Estados."

A Celg atende 2 milhões de unidades consumidoras em Goiás e é vista como ativo estratégico devido à força do agronegócio na região e também pela sua localização, que permite sinergia com diversas outras distribuidoras. Uma reunião na quinta-feira sobre a desestatização atraiu interesse de empresas como Energisa, CPFL, Equatorial, Enel e AES, além da Neonergia.

Para o sócio da consultoria LMDM, Diogo Mac Cord, um bom resultado no leilão da Celg no meio de uma recessão que limita investimentos ajudaria a convencer gestores públicos a vender estatais, ao mostrar que a aposta pode ser uma boa solução para empresas hoje em dificuldades.

"O sucesso do certame da Celg é decisivo para os demais. Todos estarão de olho", afirmou Mac Cord. "Espaço (para privatizações) nós temos, vontade política eu não sei."

O sócio da consultoria KMPG, Marcos Coimbra, afirmou que vê o segmento de distribuição de energia como o que teria mais potencial para vendas de ativos na atual conjuntura.   Continuação...