Ações de bancos europeus têm onda de vendas pior que a vista em crise de 2008

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 14:31 BRST
 

LONDRES (Reuters) - Ações de grandes bancos europeus, afetadas por uma lista sem fim de preocupações de investidores, estão passando por uma onda de vendas mais brutal que a registrada durante a crise financeira internacional de 2008.

Instituições financeiras da Europa perderam quase um quarto de seu valor, mais de 240 bilhões de dólares, desde o início do ano, diante de preocupações econômicas que podem desfazer oito anos de planos de cortes de custos, reequilíbrio de balanços e estratégias de aversão a risco.

Queda nos preços do petróleo, custos crescentes com tecnologia, desaceleração da China e volatilidade dos mercados globais são apenas alguns de muitos fatores que estão deixando os investidores nervosos sobre bancos.

Há também temores de que a indústria esteja com capitalização insuficiente para enfrentar inadimplência e que taxas de juros negativas em breve atingirão as margens dos bancos, forçando as instituições a cobrar pelos depósitos.

Retornos maiores aos acionistas também parecem muito distantes se os bancos tiverem tantos obstáculos a superar.

"Não há sinais de compra no setor bancário. Para que ter ações?", questionou Neil Dware, estrategista global na Allianz Global Investors.

Deutsche Bank, UniCredit e Credit Suisse viram suas ações recuarem a um ritmo duas vezes mais intenso que no começo de 2008.

ING e Nordea Bank, em quedas de 21 e 15 por cento até 8 de fevereiro, respectivamente, são os únicos bancos entre os 15 maiores da Europa com desvalorizações menos intensas que as vistas no mesmo período oito anos atrás.

Desde sua concepção em 2011, os bancos da zona do euro estão aproveitando a vantagem de dinheiro barato emitido pelo Banco Central Europeu (BCE) por meio das operações de refinanciamento de longo prazo conhecidas como LTRO para reestruturarem dívida que alguns investidores dizem que deveria ter sido registrada como perda.   Continuação...