Frigoríficos devem ter alívio moderado até março no custo com boi gordo

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016 17:36 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do boi gordo no mercado brasileiro deverão arrefecer até março, após uma máxima histórica no início de fevereiro, com um relativo aumento de oferta de animais e um menor consumo interno no país, mas os patamares deverão continuar elevados, pressionando as margens de frigoríficos e desestimulando a demanda dos consumidores.

O indicador Esalq/BM&FBovespa, que serve de referência para o mercado e que registra a média ponderada do boi gordo no Estado de São Paulo, tocou na semana passada um recorde nominal histórico de 152,97 reais por arroba.

A tendência, segundo analistas, é de que até o fim do próximo mês as compras dos frigoríficos sejam relativamente mais fáceis, devido à chegada de mais animais prontos para o abate.

"Em fevereiro e março pode ter pressão para baixo (nos preços). Há limites para o pecuarista segurar o boi no pasto", disse o diretor da consultoria Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz.

Os meses de verão 2015/16 têm sido relativamente mais chuvosos em muitas áreas de criação de bovinos, especialmente na comparação com os dois últimos anos, nos quais períodos de seca prejudicaram a qualidade das pastagens.

"Quanto à recuperação de pastagens, a gente precisa analisar que às vezes pode favorecer a retenção do boi no pasto. O pecuarista tem uma engorda muito barata", lembrou Ferraz.

Contudo, com muitos animais já atingindo peso adequado e com a aproximação do período seco --no qual é inviável manter os animais em regime de engorda--, a tendência é de maior oferta para os frigoríficos.

O movimento de maiores abates no fim do primeiro trimestre não é incomum. É o encerramento da chamada "safra" do boi gordo, mas que neste ano não terá baixas acentuadas, devido ao cenário --que já se prolonga há alguns anos-- de oferta restrita de animais.   Continuação...