Economia do Japão encolhe mais que o esperado e destaca falta de opções de política monetária

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 09:10 BRST
 

Por Leika Kihara e Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO (Reuters) - A economia do Japão encolheu mais do que o esperado no último trimestre do ano passado, com os gastos dos consumidores e as exportações recuando, o que aumenta dores de cabeça das autoridades já preocupadas com o dano que a deterioração do mercado financeiro pode causar à frágil recuperação.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país contraiu a uma taxa anualizada de 1,4 por cento entre outubro e dezembro, mais do que a expectativa do mercado de queda de 1,2 por cento e igualando a queda do segundo trimestre do ano passado, mostraram dados do Escritório do Gabinete nesta segunda-feira. O número se seguiu a um crescimento revisado de 1,3 por cento no trimestre anterior.

O dado destaca os desafios que o primeiro-ministro, Shinzo Abe, enfrenta para tirar a terceira maior economia do mundo da estagnação, já que as exportações aos mercados emergentes não conseguem gerar força suficiente para compensar a demanda doméstica fraca.

Abe buscou assegurar aos mercados de que Tóquio está pronto para deter a excessiva volatilidade do mercado, que pode minar o efeito favorável provocado por suas políticas de estímulo.

"Como concordamos no G7 e no G20, movimentação abruptas de câmbio não são desejadas. Quero que o ministro das Finanças monitore de perto a situação e responda com as medidas apropriadas conforme necessário", disse ele ao Parlamento nesta segunda-feira.

A especulação do mercado de mais afrouxamento da política monetária continua, ainda que a munição do banco central pareça estar diminuindo, disseram analistas.

"O consumo privado está especialmente fraco. A economia está paralisada", disse a economista-chefe do Sumitomo Mitsui Banking, Junko Nishioka.

"É questão de tempo antes que o banco central e o governo tomem medidas de estímulos adicionais", disse ela, prevendo que o banco vai afrouxar a política monetária já no mês que vem.

(Reportagem adicional de Kaori Kaneko)