ENTREVISTA-Brasil poderá dispensar dólar para impulsionar comércio com o Irã, diz ministro

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016 15:57 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil fará uma ofensiva para triplicar o comércio com o Irã nos próximos três anos, especialmente na área de alimentos, proteínas e transportes, e considera aceitar o uso de outras moedas nas transações em vez do dólar, como o euro, para evitar barreiras financeiras, disse nesta terça-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em entrevista à Reuters, Armando Monteiro Neto afirmou que a meta é elevar a corrente de comércio de 1,7 bilhão de dólares de 2015 a pelo menos 5 bilhões de dólares nos próximos três anos, e o Brasil está disposto a atender ao pedido iraniano de usar o euro nas transações.

“Eu acho que temos caminhos para poder trabalhar bem essa questão de como pagar, que tipo de modalidade, que moeda. Temos um comitê para cuidar especificamente desses temas financeiros. Estamos flexíveis”, afirmou o ministro.

Desde que as sanções contra o país começaram a ser levantadas, o Irã passou a informar seus parceiros comerciais de que prefere receber e fazer pagamentos em euros para evitar barreiras ainda mantidas pelos Estados Unidos.

Monteiro revelou que, antes de viajar ao Irã em outubro, com uma comitiva de 30 empresários brasileiros, consultou o Banco Central sobre o tema e levou também representantes do Banco do Brasil para analisar a situação. Segundo o ministro, basta um pouco de “boa vontade” para resolver a questão.

Em meio a uma crise econômica que reduziu drasticamente o mercado interno, o governo brasileiro tem apostado nas exportações para tentar reativar a economia, e o Irã, de volta ao mercado internacional, é uma das principais apostas. Na semana passada, o governo brasileiro levantou as sanções impostas internacionalmente, e a presidente Dilma Rousseff recebeu o embaixador do país para uma conversa.

Dilma, de acordo com Monteiro, deve ir ainda este ano ao Irã para aumentar a pressão brasileira por uma posição de destaque no comércio com o país.

Alimentos, proteínas e veículos estão entre as principais áreas de interesse dos iranianos no Brasil. Há conversas para exportações de carros para táxi e ônibus, além de contatos para venda de aeronaves da Embraer para linhas de aviação regional.   Continuação...

 
Ministro Armando Monteiro durante evento no Palácio do Planalto. 1/12/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino