Dólar salta quase 2% e vai acima de R$4,05, com pretróleo e apreensão fiscal

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016 18:28 BRST
 

Por Bruno Federowski e Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou quase 2 por cento nesta terça-feira e fechou acima de 4,05 reais pela primeira vez em mais de duas semanas, refletindo a retomada da aversão a risco nos mercados globais diante do tombo dos preços do petróleo e preocupações com a situação fiscal do país.

O dólar avançou 1,86 por cento, a 4,0705 reais na venda, maior nível de fechamento desde 28 de janeiro (4,0800 reais). O dólar futuro avançava cerca de 1,75 por cento no final da tarde.

O dólar vinha operando abaixo de 4 reais durante todo o mês, após renovar suas máximas históricas em meados de janeiro.

"O movimento do mercado estava bom demais para ser verdade, bom demais para a nossa situação", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato. "O petróleo serviu de gatilho, mas a verdade é que o investidor local está pessimista demais para aceitar esses níveis baixos".

Investidores temem que o governo brasileiro se afaste do rigor fiscal que vem prometendo desde o ano passado diante da profunda recessão econômica e das turbulências políticas. Segundo operadores, o cenário de incertezas deve ganhar mais força nos próximos dias com a volta das atividades do Congresso Nacional.

"Faz sentido buscar proteção (no dólar) em um cenário de incertezas locais como o atual", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

As preocupações locais somaram-se às perdas nos preços do petróleo, que passou a cair depois que Rússia e Arábia Saudita concordaram em congelar a produção nos níveis de janeiro se outros grandes exportadores se juntarem a eles. Irã, no entanto, era um dos entraves ao plano.

"As moedas ligadas a commodities acompanham o petróleo, uma segue a outra", disse o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik.   Continuação...

 
Uma imagem ilustrativa mostra notas de dólar no banco OTP, em Budapeste. 23 de novembro de 2011. REUTERS/Laszlo Balogh