Wal-Mart tenta rever tropeços no Brasil

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 14:12 BRST
 

Por Brad Haynes e Nathan Layne

CAMPO GRANDE (Reuters) - Quando o Wal-Mart começou sua expansão na cidade de Campo Grande (MS) sete anos atrás, a economia estava crescendo e executivos se mostravam ansiosos para abrir lojas mesmo em locais tradicionalmente pouco indicados, como vias de mão única que levam para fora da cidade.

A ofensiva acabou não durando. No fim de dezembro, a varejista norte-americana fechou suas lojas de atacado Maxxi em Campo Grande como parte de uma reestruturação em que encerrou 60 unidades no Brasil, incluindo alguns hipermercados. Consumidores disseram que as lojas não podiam competir em termos de sortimento, preço e localização.

"Não estava claro para quem era o Maxxi. Não era barato o suficiente para os pobres. Mas não havia apelo para a classe média", disse Ordecy Gossler, 40 anos, contador que enchia seu carrinho de compras com artigos de limpeza em uma loja Atacadão rede rival controlada pelo francês Carrefour, em Campo Grande.

"Quando anunciaram em dezembro que os dois Maxxi fecharam, ninguém do meu trabalho sabia onde eles ficavam."

Atualmente, o Wal-Mart tem apenas um supermercado na cidade de 850 mil habitantes, cuja demografia marcada por consumidores parcimoniosos pareceu em algum momento adequada à maior varejista do mundo. A empresa fechou a outra unidade na cidade no fim do ano passado, conforme o tráfego de clientes caiu no shopping center que deveria ser sua âncora.

A saída de Campo Grande é emblemática das questões mais amplas que o Wal-Mart enfrenta no Brasil, que foi por algum tempo destino importante de varejistas estrangeiros e outras companhias, mas que desacelerou. E o desempenho ruim da maior economia da América Latina mostra como as táticas que ajudaram o Wal-Mart a ter sucesso nos Estados Unidos às vezes não funcionam em outros países.

Os resultados internacionais da companhia têm sido anêmicos, apesar do investimento de 22 bilhões de dólares nos últimos cinco anos. No ano passado, o Wal-Mart gerou margem de lucro operacional de 4,5 por cento nos mercados internacionais, bem abaixo do retorno de 7,4 por cento publicado nos Estados Unidos.

Buscando retornos mais altos, o presidente-executivo do Wal-Mart, Doug McMillon, anunciou em outubro uma revisão estratégica para os ativos globais da companhia. Alguns analistas especularam que o Wal-Mart poderia sair do Brasil, assim como de outros países da América Latina, onde já está fechando outras 55 lojas.   Continuação...

 
Loja do  Walmart em São Paulo. 16/02/2016 REUTERS/Nacho Doce