Câmbio e questões judiciais dificultam solução para Abengoa no país, dizem fontes

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 16:57 BRST
 

Por Luciano Costa e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Uma solução para linhas de energia paralisadas no Brasil pela elétrica Abengoa após dificuldades financeiras ainda está distante e esbarra em questões jurídicas e em dívidas em dólar já contraídas nos projetos, afirmaram à Reuters três fontes com conhecimento direto do assunto.

A falta de uma saída que possibilite a continuidade de projetos bilionários sob responsabilidade da empresa, que entrou com pedido preliminar de recuperação judicial na Espanha em novembro, deve prejudicar a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que depende de alguns desses empreendimentos para levar sua importante oferta de energia à rede brasileira.

As obras da Abengoa estão paradas e sua retomada não deverá ser simples, uma vez que a espanhola deixou "centenas de milhões de reais" em pagamentos atrasados a fornecedores, disse uma fonte com conhecimento direto dos projetos, sob condição de anonimato.

"As dívidas com os fornecedores teriam que ser pagas (para haver uma solução)... grande parte dos equipamentos estava praticamente pronta. Não são equipamentos de prateleira, foram todos feitos sob encomenda", declarou.

A fonte ressaltou que parte dos contratos é em dólar, que disparou desde o ano passado, inflando o valor dos pagamentos que deveriam ser feitos a empresas como Siemens, ABB, SAE Towers, Alubar e Arteche.

Além disso, lembrou a fonte, a retomada das obras não é tarefa fácil.

"A mobilização tomaria tempo... trata-se de um mega projeto, muito complexo e demorado. Acessos muito difíceis e regiões com mata densa", acrescentou.

A Siemens e a ABB, que estão entre as credoras da Abengoa, informaram que não comentam o assunto. As outras empresas não comentaram imediatamente.   Continuação...