COLUNA-Para compensar crédito fraco, bancos brasileiros ampliam tentáculos na cadeia financeira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 17:01 BRST
 

(O autor é repórter sênior do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O que a criação de um bureau de crédito pelos bancos, o aumento do repasse de receitas da Cielo CIEL3.SA para o Bradesco BBDC4.SA e a compra de metade da empresa de serviço de pagamento eletrônico ConectCar pelo Itaú Unibanco (ITUB4.SA: Cotações) têm em comum?

Todos esses movimentos são indicativos de que os grandes bancos de varejo do país se deram conta de que terão que ampliar os tentáculos para aumentar receitas com serviços para compensar os efeitos da cadente receita com crédito sobre a rentabilidade.

Mesmo com os spreads --a diferença entre o custo de captação e o valor cobrado dos clientes-- beirando as máximas em uma década, os bancos preveem que 2016 marcará o segundo ano seguido em que o crédito no Brasil vai encolher em termos reais.

Nada muito inspirador é esperado para os anos seguintes, dado que o prazo para adaptação a regras mais rigorosas de reserva de capital pelos bancos contidas no acordo de Basileia III, que deve ter vigência integral no Brasil em 2019, se esvai.

De 2002 até o mês passado, o tamanho do crédito no Brasil evoluiu de 26 para 54 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), carregando consigo os níveis de endividamento de governo, empresas e famílias.

Mesmo que a economia estivesse caminhando bem sabia-se que a manutenção desse ritmo não iria se manter, de modo que a transição para uma nova realidade já vinha se desenhando.

Ironicamente, a agonia da economia brasileira desde 2012 tem feito os bancos apressarem a troca da locomotiva, especialmente os privados. Itaú e Bradesco já tinham a maior parte das receitas oriundas de operações não atreladas a financiamentos.   Continuação...