Dólar cai quase 2% e volta abaixo de R$4 com petróleo e otimismo global

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 19:55 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de quase 2 por cento e voltou abaixo de 4 reais nesta quarta-feira, refletindo o maior otimismo global diante do salto nos preços do petróleo em meio a expectativas de acordo para congelar a produção global da commodity.

O dólar recuou 1,88 por cento, a 3,9940 reais na venda, maior queda de fechamento desde 28 de dezembro, quando caiu 2,10 por cento.

A moeda norte-americana chegou a recuar a 3,9670 reais na mínima da sessão, mas reduziu as perdas na reta final do pregão após a Standard & Poor's rebaixar a nota de crédito do Brasil para "BB", ante "BB+", mantendo a perspectiva negativa. O país já havia perdido o selo de bom pagador pela agência no ano passado.

"A leitura de que há disposição de segurar os preços do petróleo fez muita gente desmontar apostas na alta do dólar", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

Os preços do petróleo subiram em torno de 7 por cento nesta sessão depois de o Irã expressar apoio à iniciativa encabeçada por Rússia e Arábia Saudita para congelar a produção de forma a impulsionar os preços, que caíram às mínimas em 12 anos na semana passada.

O recuo recente do petróleo vem pressionando a demanda por ativos ligados a commodities, como moedas de países da América Latina. A pressão cambial levou o banco central do México a convocar reunião extraordinária e elevar os juros em 0,50 ponto percentual, para 3,75 por cento. O dólar recuava mais de 3 por cento na comparação com o peso mexicano.

Operadores salientaram que o mercado local deve continuar volátil nas próximas semanas, já que cenário político e econômico no Brasil continua difícil. "Acredito que o impeachment deve voltar à pauta nas próximas semanas e isso deve gerar bastante movimento no câmbio", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

"Consideráveis" desafios políticos e econômicos levaram a S&P a rebaixar a nota de crédito do Brasil novamente, advertindo que pode piorar ainda mais a classificação do país. O dólar reduziu a queda frente ao real após a decisão, mas o impacto foi limitado porque o país já era classificado como grau especulativo pela agência.   Continuação...

 
Funcionário segura notas de dólar em banco, em Hanói, Vietnã. 12 de agosto de 2015.  REUTERS/Kham