Governo brasileiro espera acordo de R$20 bi com Samarco até 6ª-feira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 18:18 BRST
 

Por Anthony Boadle e Marta Nogueira

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo federal espera concluir os termos de um acordo com a mineradora Samarco até sexta-feira, em acerto que envolveria o processo indenizatório de 20 bilhões de reais por danos causados pelo rompimento mortal de uma barragem de rejeitos, em Mariana (MG), afirmou nesta quarta-feira o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Se o acordo for assinado até a próxima semana, a Samarco, que está com as operações interrompidas desde o desastre em 5 de novembro do ano passado, poderá retomar suas atividades de mineração até o fim deste ano, explicou Adams.

A Samarco é uma joint venture da brasileira Vale e da anglo-australiana BHP Billiton.

"Concluindo o acordo em fevereiro, a questão ambiental, pelo que ouço das empresas e dos próprios Estados, ela seria rapidamente resolvida, e é bem possível que a empresa retorne (às atividades) neste ano ainda", disse Adams.

O desastre causou uma avalanche de lama que deixou pelo menos 17 mortos. O derramamento da lama inundou centenas de quilômetros de vales fluviais em dois Estados, percorrendo o importante Rio Doce até o Oceano Atlântico. O governo considera a pior tragédia ambiental da história do país.

Procurada, a Samarco afirmou que está trabalhando com autoridades "em um acordo voltado para a continuidade das ações de remediação aos impactos socioambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão".

Se um acordo for alcançado até sexta-feira, o documento deve ser assinado na presença da presidente Dilma Rousseff e de governadores na próxima semana ou até o final do mês, segundo a assessoria de imprensa do advogado-geral Adams.

A presidente do Ibama, Marilene Ramos, confirmou que a assinatura formal do acordo vai acontecer antes do fim do mês.   Continuação...

 
Casa soterrada por lama no distrito de Bento Rodrigues devido a rompimento de barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG). 06/11/2016 REUTERS/Ricardo Moraes