17 de Fevereiro de 2016 / às 20:59 / 2 anos atrás

SAIBA MAIS-Transmissão limita geração de grandes hidrelétricas e acende alerta para atrasos

SÃO PAULO (Reuters) - As maiores hidrelétricas viabilizadas no Brasil em décadas --Belo Monte, no Pará, Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e Teles Pires, em Mato Grosso-- terão limitações na geração devido a problemas nas linhas de transmissão que levariam a energia até o sistema, segundo relatório de fiscalização do órgão regulador e especialistas.

A situação, que deve gerar custos extras para o consumidor, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), acende um alerta vermelho para a transmissão de energia, que tem sofrido com muitas obras atrasadas e leilões de novos projetos esvaziados.

A crise na área de transmissão ainda é agravada pelas dificuldades financeiras da espanhola Abengoa, uma das maiores investidoras em linhas de energia do país, que parou todas obras locais após sua matriz entrar com pedido preliminar de recuperação judicial na Espanha em novembro.

Dívidas em dólar que inflaram os valores a serem pagos a fornecedores pela espanhola estão entre os fatores que dificultam uma solução para linhas paradas da Abengoa.

Ao final de 2015, a Aneel apontou que 62 por cento dos projetos de transmissão implementados nos últimos cinco anos tiveram problemas de cronograma, com atraso médio de 502 dias. Veja detalhes de problemas para linhas de transmissão de grandes projetos elétricos:

BELO MONTE

O que mais preocupa o governo federal no momento é a situação das linhas que escoarão a produção de hidrelétrica de Belo Monte, que está iniciando testes internos nesta quarta-feira para o funcionamento da primeira turbina. O início da geração está previsto para março, informou a assessoria de imprensa Norte Energia.

Segundo a Aneel, o sistema atual só poderia escoar as primeiras máquinas de Belo Monte --a partir de novembro, seriam necessárias novas linhas que entrariam gradualmente em operação.

As duas primeiras linhas extras, previstas para 2016 e 2017 para levar parte da produção da usina ao Nordeste, têm cerca de 1,8 mil km e estão paradas --ambas eram tocadas pela Abengoa.

Mais dois linhões, em ultra alta tensão e com mais de 2 mil km levarão energia da usina para o Sudeste, com operação esperada para 2018 e 2019. O primeiro é da chinesa State Grid com Furnas, da Eletrobras, e o segundo está apenas com os orientais.

USINAS DO MADEIRA

Nas usinas do Madeira, que já têm mais de 5,6 gigawatts em operação, há limitação de produção desde o ano passado devido a atos de vandalismo que atrasaram a conclusão de um segundo linhão de 2,4 mil km que levará a energia até o Sudeste. A BMTE, que toca o empreendimento, iniciou testes na semana passada, mas não estimou data para operar.

Mesmo depois de pronto esse linhão, ainda haverá restrição devido ao atraso de projeto licitado ainda em 2010, que receberá a energia do Madeira em Araraquara, interior de São Paulo. A Aneel estimou que a situação deve perdurar até 2017. Segundo a Copel, responsável pelo sistema, as instalações ainda não obtiveram sequer licença ambiental de instalação.

TELES PIRES

No complexo de hidrelétricas do Teles Pires, a primeira usina prevista, com 1,2 gigawatt, ficou pronta no final de 2014, mas esperou até novembro passado para operar devido à falta de linhas. Ainda assim, a geração começou com um arranjo provisório.

O sistema definitivo fica pronto em março, segundo Copel e State Grid, responsáveis pela obra. Elas disseram que o cronograma foi impactado principalmente por “questões arqueológicas e embargos de posseiros”. A situação parou os trabalhos “em trechos extensos, por períodos longos, exigindo alterações significativas no traçado da linha”.

A superação dessa situação, no entanto, não será uma solução completa. Um outro sistema de linhas importante para escoar a geração não só da usina Teles Pires, mas de outras no mesmo rio, como São Manoel, Sinop e Colíder, não tem sequer previsão de iniciar obras.

O projeto foi ofertado em três leilões, mas não recebeu propostas de investidores.

A Aneel pediu estudo sobre a questão ao ONS, para quem a falta dessas linhas não impedirá as usinas de gerar, mas aumentará riscos de blecautes, pois a rede ficará “sem redundância”.

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