Dólar sobe frente a real por preocupações locais, apesar de exterior favorável

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 11:01 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava frente ao real nesta quinta-feira, pressionado por preocupações com a situação fiscal do Brasil e por incertezas políticas, potencializadas pelo novo rebaixamento da nota do Brasil na véspera, apesar do ambiente externo relativamente favorável.

Às 10:37, o dólar avançava 0,86 por cento, a 4,0282 reais na venda, após atingir 3,9743 reais na mínima da sessão e 4,0305 reais na máxima. A moeda norte-americana havia recuado quase 2 por cento na véspera.

"Consideráveis" desafios políticos e econômicos levaram a Standard & Poor's a rebaixar, no final da tarde passada, a nota de crédito do Brasil para "BB", de "BB+", e manter a perspectiva negativa.

A reação nos mercados na véspera foi limitada porque o país já era classificado como grau especulativo pela agência, mas alguns investidores usavam nesta sessão a notícia como gatilho para voltar a comprar dólares após a intensa queda vista na quarta-feira.

"O 'downgrade' veio muito perto do fim do pregão, o movimento de ontem foi muito instintivo. Agora, o mercado teve tempo de pensar e pode se ajustar enquanto avalia se o corte estava no preço", disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

A moeda brasileira vem sendo pressionada sobretudo por preocupações com as perspectivas fiscais do Brasil. Investidores temem que turbulências políticas levem o governo a afrouxar a austeridade que vem prometendo.

A apreensão doméstica levava o real a se descolar de outros mercados emergentes, onde o dólar perdia terreno. A alta dos preços do petróleo e expectativas de que o Federal Reserve deve demorar para voltar a elevar os juros alimentavam a demanda por ativos de maior risco.

Nesta manhã, o Banco Central brasileiro fará mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em março, que equivalem a 10,118 bilhões de dólares, com oferta de até 11,9 mil contratos.

(Por Bruno Federowski)

 
Notas de real e dólar em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes