18 de Fevereiro de 2016 / às 16:06 / 2 anos atrás

Conselho da Usiminas concorda sobre injeção de capital, mas não sobre como fazê-lo, diz executivo

SÃO PAULO (Reuters) - O Conselho de Administração da Usiminas tem consenso sobre a necessidade de injeção de capital na companhia, mas não chegou a um acordo sobre a forma pela qual isso deverá ser feito nem sobre o valor necessário, afirmou o vice-presidente financeiro do grupo siderúrgico, Ronald Seckelmann.

"Existe um consenso no Conselho de Administração sobre necessidade de injeção de caixa na companhia. O que foi solicitado ontem foram esclarecimentos adicionais pelos acionistas", disse o executivo em teleconferência com analistas, comentando o resultado da reunião do órgão na véspera.

Segundo ele, os acionistas controladores pediram informações detalhadas sobre a melhor forma de readequação financeira da empresa, com alternativas como aumento de capital, empréstimos dos controladores e empréstimos entre companhias do grupo. Também não haveria ainda uma definição sobre o volume de recursos necessários.

A Usiminas tem vencimentos de 1,9 bilhão de reais neste ano e caixa de cerca de 2 bilhões de reais.

Seckelmann afirmou que o Conselho deve fazer nova reunião na primeira semana de março para debater estas questões.

A Reuters publicou na segunda-feira que a Nippon Steel, que divide o controle da Usiminas com o grupo italiano Techint, estava disposta a participar de um eventual aumento de capital na companhia, mas que um consenso sobre a operação não seria alcançado até a reunião do Conselho na véspera.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Techint é contrária a injetar mais dinheiro na empresa se não houver uma reforma no acordo de acionistas da companhia, que exige consenso para todas as decisões.

O vice-presidente financeiro da Usiminas não deu detalhes sobre as necessidades de capital da empresa, mas afirmou que a companhia tem negociado desde o ano passado com bancos credores e que eles não estão exigindo condições prévias para aceitarem renegociar a dívida da companhia. Além dos 1,9 bilhão de reais que vencem este ano, a empresa tem pela frente outros 1,8 bilhão em 2017. "Não há nenhum condicionamento de um lado ante o outro", afirmou.

Sobre venda de ativos, Seckelmann reconheceu que a empresa tem poucas opções para levantar recursos e que se houver alguma alienação, deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano. Na segunda-feira, a Usiminas informou que contratou no final do ano passado o Credit Suisse para assessorá-la na venda de parte ou totalidade da unidade de bens de capital Usiminas Mecânica.

EBITDA POSITIVO NA SIDERURGIA

A Usiminas encerrou o quarto trimestre com geração de caixa negativa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), mas Seckelmann afirmou que após a parada de produção de aço em Cubatão (SP) no início deste ano a empresa deverá voltar a apresentar Ebitda positivo no segundo trimestre.

A companhia não está vislumbrando espaço para aumentos de preços de aço no mercado interno e trabalha com um cenário de estabilidade, afirmou o vice-presidente comercial, Sergio Leite, durante a teleconferência com os analistas do setor.

Na área de mineração, a Usiminas enxerga atualmente uma janela para retomada das vendas externas de minério de ferro, projetando até 500 mil toneladas neste ano ante vendas no mercado interno de 2 milhões de toneladas, disse o diretor de mineração, Wilfred Bruij.

Em 2015, a Usiminas vendeu 3,79 milhões de toneladas de minério de ferro, queda de 33 por cento sobre 2014. A maior parte, 3,5 milhões de toneladas, foi para consumo da própria Usiminas, com o restante direcionado apenas ao mercado brasileiro.

Por Alberto Alerigi Jr. e Guillermo Parra-Bernal

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