EXCLUSIVO-Renova Energia deve adiar usinas em meio a crise de liquidez; pode vender ativos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 17:30 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Renova Energia, controlada da Cemig que investe em geração renovável, deve adiar a entrega de parques eólicos e pode até mesmo vender usinas em meio a uma crise de liquidez disparada após a norte-americana SunEdison desistir de uma operação que injetaria 13,8 bilhões de reais na empresa, afirmaram executivos à Reuters nesta quinta-feira.

A Renova, com quase 2 gigawatts de projetos eólicos e solares já contratados para serem implementados até 2019, precisaria investir cerca de 10 bilhões de reais nos empreendimentos caso fosse cumprir os cronogramas originais, o que é visto como pouco viável pelos executivos diante do atual cenário econômico do Brasil, com juros elevados e crédito restrito.

"Na parte de projetos, a gente está revisando... a gente está rediscutindo praticamente todos... dado que vamos precisar de um ritmo diferente (de implementação). O momento é de arrumação, 2016 é o ano de freio de arrumação", afirmou o presidente da companhia, Carlos Waack.

O diretor-financeiro, Cristiano de Barros, disse que a situação é reflexo do cancelamento da venda de ativos para a SunEdison.

"Se a gente tivesse concluído a operação e recebido os recursos como planejado... estaríamos com nosso caixa equacionado, sem nenhuma pressão de liquidez como a que vivemos hoje", disse Barros.

Em meio à falta de liquidez, a Renova anunciou no início do mês uma operação de aumento de capital de até 731,25 milhões de reais, sendo que a Cemig já garantiu que injetará até 240 milhões de reais na empresa.

Os recursos serão utilizados principalmente para reduzir dívidas da holding, disse Barros. Caso a operação não tenha sucesso, a empresa deverá estudar a venda de usinas em operação.

"A empresa tem que fazer seu ajuste financeiro em termos de dívida... seja via capital, seja via até venda de algum ativo", disse Barros.   Continuação...